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Talvez como conseqüência das várias reportagens sobre o "apocalipse" no trânsito de São Paulo ultimamente veiculadas na mídia, a editora Conrad liberou o livro "Apocalipse Motorizado" em formato PDF para baixar no "site" da editora. Não percam... vale a pena ler! Observação: deve ser cadastrado no "site" para baixar o arquivo. Para baixar: Apocalipse Motorizado - A Tirania do Automóvel em um Planeta Poluído Ned Ludd (org.)
A primeira vez Francine Lima  | Nem percebi quando meu pai me soltou. Tinha acabado de erguer a segunda rodinha auxiliar da minha primeira bicicleta, mas ele disse que ficaria ali atrás me escorando. Quando olhei para trás, ele estava alguns metros longe de mim, observando contente meu sucesso sobre duas rodas. O medo inicial não me reteve por muito tempo. Logo me apaixonei por aquele ventinho no rosto e me encorajei a brincar de pedalar na rua de casa, que ainda era de terra e sem saída. Em São José dos Campos, minha cidade natal, a bicicleta sempre foi minha independência. Aos 12, desbravava as ruas do bairro em algazarra com a molecada da rua. Aos 16, ia com ela ao colégio. Aos 26, aprendi, com a mesma mountain bike, a me embrenhar em trilhas na mata e a chegar intacta ao trabalho de vestido (e um shortinho por baixo) e mochila nas costas. Aos 28, já freelancer em São Paulo, marcava reuniões com meu editor (um judeu nada ortodoxo de cabelo comprido) no Café Suplicy, e nós dois prendíamos nossas bikes no mesmo poste. Difícil manter essa independência em São Paulo. Quando entrei na editora Globo, minha farra de ciclista foi interrompida. Faltou coragem para enfrentar o fumacê dos caminhões que vão para a marginal Pinheiros, o perigo na ponte, o julgamento dos colegas que vêm de carro e banho tomado. Era mais fácil gastar mais gasolina e aproveitar o estacionamento gratuito. Mesmo carregando a culpa por uma fração do aquecimento global sobre meus ombros. Até que me ofereci para participar da reportagem sobre o incentivo ao uso da bicicleta como meio de transporte. Depois de experimentar o bicicletário (quase vazio) da estação Pinheiros do trem metropolitano, ir de trem até Mauá para conhecer a superlotação do bicicletário de lá e entrevistar ciclistas exemplares que me deram dicas de sobrevivência nas ruas da capital, me senti na obrigação de deixar aquele “receio bobo” de lado e honrar meu título de ciclista urbana. A dificuldade começou diante do guarda-roupa. Percebi em cima da hora que não tinha nada que servisse ao mesmo tempo para pedalar e para fazer entrevistas. Legging, regatinha colante e tênis eram perfeitos para a academia, mas não me pareceram traje adequado para a redação. O jeito foi carregar um pouco de peso nas costas. A roupa adequada (e a sandália) para o trabalho eu botei na mochila, de um jeito que não amassasse muito, junto com um frasco de loção de limpeza para o rosto, um pedaço de algodão, uma toalha pequena e o desodorante. Vesti uma bermuda informal com strech, uma blusinha de verão e uma sandália esportiva – melhor que o tênis com meia num dia quente. Peguei capacete e luvas, equipei a bike com lanterna dianteira e pisca-pisca traseiro, enchi a caramanhola de água e saí, torcendo para não chover. Levei quarenta minutos, um pouco mais do que costumo levar de carro. (É que eu tenho o privilégio de morar razoavelmente perto da editora e pegar um dos caminhos mais agradáveis da cidade – sem contar, é claro, a ponte e a parte dos caminhões.) No portão, uma funcionária me pediu para passar pela entrada de pedestres. Por quê, perguntei, se ali há um degrau e já estou na entrada dos carros? Veio outro funcionário desfazer o mal entendido. “Ela achou que você fosse visitante. É que você é a primeira funcionária a vir de bicicleta.” Então onde estaciono?, eu quis saber. O moço me apontou a área em que ficam as motos. Já adivinhando a frustração, fui examinar o local. Bingo! Não havia um só lugar em todo o estacionamento que tivesse ao mesmo tempo um poste estreito o suficiente para minha tranca, teto contra chuva e ausência de pombos – se eles melecam os carros, imagina as bicicletas! Voltei à guarita disposta a ouvir outra sugestão. Quem sabe lá no fundo, perto do restaurante? Encontrei um tubo qualquer preso à parede, talvez fosse uma calha, e foi ali mesmo que escondi minha magrela. Não sem medo de que gatunos a pilhassem, num cantinho tão sem vigilância. Antes de encarar os colegas, banheiro. Vestiário aqui não temos. Um pouco constrangedor me despir ali onde a qualquer momento poderia entrar alguém, mas era o jeito. Felizmente não suei muito, já que não houve subidas no percurso e a velocidade foi moderada. Então um banho de gato na pia e a troca de roupa foram o bastante para que eu chegasse confortável e agradável ao fim do dia. Na hora de ir embora, chuviscava fininho e o chão estava molhado. Mas dizem que quem vai para casa não toma chuva. Posso dizer que foi meu passeio solitário mais divertido do mês de novembro. Na ponte do Jaguaré, fiquei na parte reservada aos pedestres, e eles me deram passagem espontaneamente. Entre o Parque Villa Lobos e a Praça Pan-americana, cantarolei sozinha, sem precisar do rádio, que sempre me balança no carro. Na Teodoro Sampaio, rua mais comercial de Pinheiros, parei para ver uma promoção na Casas Bahia e, metros à frente, parei de novo para conversar com um vizinho que estava a pé. E me lembrei por que é que o dia em que a gente aprendeu a andar de bicicleta marca tanto. É porque parece que a gente de repente pode ir a qualquer lugar. O dia em que virei ciclista urbano Rafael Pereira Eram anos sem pedalar. Pagar foi apenas um passo burocrático. Com ela nas mãos, todo o meu receio veio à tona. Só eu e ela. Ir de Laranjeiras, na zona sul do Rio, até a Tijuca, na zona norte, passando pelo Centro. E logo nas primeiras pedaladas em anos. Era quase um capricho. Tá. Aquele ditado que fala sobre quem aprende a andar de bicicleta está certo. Não dá para esquecer. Mas não se tratava apenas de saber. Era mais. Teria que desbravar o trânsito do Rio, e de um terceiro ponto de vista. Já estive dentro do carro, e fui pedestre por muito tempo. Agora, tinha pela frente uma nova e desafiadora fronteira. Tive sorte por ser sábado, com menos gente nas calçadas e ruas. No que imagino ter sido o primeiro quilômetro, fui na contramão. Sabia que existe uma código para ciclistas? O ciclista não pode andar pela calçada. Tem que andar apenas pela rua. Calçada é para os pedestres. E eu era pedestre há até pouquíssimo tempo. Uns minutos. Andar na calçada, e ao mesmo tempo na contramão, era uma infração gravíssima. Tive a sorte de poucos saberem disso. E fui bem devagar. Juro. Não atropelei ninguém. Mas foi por pouco tempo. Logo, já tinha passado o Largo do Machado, e estava na Praia do Flamengo, com sua bela ciclovia de duas pistas. Foi bom eu ter ido por lá. Deu para testar minhas seis marchas - tudo funcionou perfeitamente - e os demais probleminhas que poderia ter minha nova amiga. O maior problema foi o banco. No começo do percurso, o banco mostrou-se muito baixo. E quase pude escutar meu amigo, especialista em bicicletas, dizer: "Sair da loja com a bicicleta desregulada é o mesmo que começar um relacionamento com o pé esquerdo". Tá... não foi tão grave assim. Mas foi um contratempo. O banco estava baixo demais. A cada pedalada, percebia que meu joelho quase fechava ao máximo. E isso não pode acontecer. Perdia boa parte da potência, forçava o joelho, e coisa e tal. Quando percebi isso, e já estava a procura de um posto de gasolina, o banco virou. Isso mesmo. A parte de trás do banco foi quase parar no bagageiro. Minha demanda, outro quase capricho, tinha se tornado urgente. Um posto, quase na Glória. Quem, me disseram, era o mecânico do posto, tinha uma preguiça misturada com descaso que inspirava irritação na melhor das almas. Não tenho lá uma alma muito boa. Ele acabou achando a chave em sua bolsa e me ajudou. Botou o banco no prumo e colocou-o alto, o ajuste que me incomodou primeiro. Ganhou três reais pelo serviço, e pareceu ter ficado animado com isso. Não esperava ganhar nada, e seu descaso tinha sido explicado. Continuei minha jornada. Passei pela Glória, dos vários travestis, e entrei na Lapa, antigamente dos malandros, hoje dos jovens " descolados". Estava em uma ruela desimportante quando, pronto, o banco virou de novo. Pelo menos estava na minha altura. Mas virado, com a parte fina para cima, não há como sentar. Talvez alguém consiga... mas não é o meu caso. Achei um estacionamento xexelento, não dava o menor crédito. Lá dentro, um jovem estava mexendo em um Gurgel, aquele carrinho brasileiro feito de fibra de vidro em vez de metal. Perguntei por uma ferramenta, chave de rosca, e ele disse: "Procura aí". Apontou uma caixa de ferramentas. Outro não sensibilizado com meu drama, pensei. Eu juro. Achei todos os tamanhos de chave, menos a que eu precisava. Tinha uma coleção inteira nas mãos. Menores e maiores. Daí, o moço do Gurgel se preocupou: "Cara... deve ser a chave treze... eu achei que estava aí". Demorei, mas achei, em forma de ele (a letra). Fiquei mais satisfeito. Arrumei, sob os olhares curiosos dele. Agradeci. "Que isso, cara. De nada. Lava as mãos ali naquela bica". Merecia mais do que três reais. Mas estava tão entretido com seu Gurgel que não ganhou nada. Dali em diante, tive meu primeiro desafio real: Andar nas ruas engarrafadas da cidade pela mão que me cabia. A do trânsito. Da Lapa, fui em direção ao Estácio, o berço do samba. No começo, tudo bem. A não ser por uns carros que param à esquerda, atrapalhando a nós, ciclistas. Não estava lá muito seguro, até encontrar à minha frente um colega de duas rodas. Era o moço dos Correios. Saca os caras dos Correios? Aqueles que levam os e-mails de papel nas nossas casas. Pois então, eles usam bicicletas amarelas para isso. Ele deve fazer isso todos os dias. E eu fui atrás dele. O moço dos Correios, acredite, passeia pelas ruas. Não dá a mínima para nada. Nem os carros e caminhões parados à esquerda parecem incomodá-lo. Fiquei atrás dele um tempo, em baixa velocidade, só aprendendo o movimento das ruas, seus movimentos. Até que ele se foi. Acelerei e me senti o ciclista mais seguro do mundo. E ele nem tem idéia de o quanto me ajudou. Dali para a Tijuca foi um pulo. Aproveitei, antes de casa, para parar no supermercado. Um luxo, para mostrar que eu estava seguro. Parei a bicicleta, coloquei a tranca recém-adquirida, comprei, tirei a tranca e fui para casa como um rei. Era sábado, e eu tirei o dia para virar um ciclista urbano.
( http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG82278-5856-512,00.html)
Projeto da Celepar que estimula uso de bicicletas vai ser apresentado em conferência mundial
 Funcionários da Celepar chegam ao trabalho de bicicleta. | O projeto de mobilidade sustentável “Transporte Livre”, que estimula o uso da bicicleta como meio de locomoção dos funcionários da Companhia de Informática do Paraná (Celepar), foi selecionado para participar da Conferência Mundial de Mobilidade que acontecerá de 16 a 20 de junho na cidade norte-americana de Portland (Oregon). O World CarFree Network é realizado anualmente, em revezamento entre os EUA e a Europa, e reúne projetos, ações e experiências ao redor do mundo inteiro. A iniciativa é de uma rede de entidades e organizações que se dedica a promover alternativas ao uso de veículos motorizados, com o objetivo de reduzir os impactos ambientas provocados pelos carros. Neste ano, o evento apresentará vários projetos mantidos por organizações de vários países, entre eles: EUA (Eco-Cidades / Saúde e Desigualdade nos Transportes / Criando ruas seguras), Holanda (Capital da Bicicleta), África (O dilema do ciclista em cidades africanas), Bélgica (Implicações ambientais da oferta diversificada de transportes), Canadá (Ruas são para as pessoas), Estônia (Cicloativismo) e Fórum Latino de Urbanismo.  Luís Cláudio Patrício, vice-presidente da Cipa/Celepar e um dos principais incentivadores do uso de bicicleta pelos funcionários: iniciativa reconhecida em nível internacional | Projeto - O Projeto Transporte Livre, cuja implantação está sendo avaliada pela diretoria da Celepar, é uma iniciativa da Comissão de Prevenção de Acidentes da Celepar (CIPA), Fundação Celepar e Programa de Bem com a Vida. Os principais objetivos são: estimular e criar condições para que os funcionários interessados possam usar a bicicleta como meio de transporte; redução do sedentarismo através da prática de uma atividade física regular; contribuir para a otimização da utilização do espaço urbano público e para a redução do nível de poluição nas cidades; demonstrar a viabilidade da bicicleta como meio de transporte e servir de exemplo para as pessoas interessadas em adotar essa prática. Pesquisa -O projeto foi baseado numa pesquisa realizada pela CIPA entre os funcionários da Celepar. Mais de 70 % dos funcionários que responderam o questionário afirmaram que utilizariam de vez em quando a bicicleta para se locomoverem até o trabalho se achassem o trajeto seguro. De acordo com levantamento feito pela Celepar, boa parte dos funcionários residem a uma distância que possibilita o uso da bicicleta. Estudo do Ministério das Cidades aponta que em trajetos urbanos de até 5 quilômetros a bicicleta é mais rápida que o carro. Atualmente, apenas 2% dos funcionários da Celepar utilizam diariamente a bicicleta para ir ao trabalho e 7% uma vez por semana. Isto, sem nenhuma medida facilitadora ou campanha de estímulo. No caso da Celepar, 62% dos funcionários utilizam o carro todos os dias para ir ao trabalho. Isto, na opinião do vice-presidente da CIPA/Celepar Luís Cláudio Brito Patrício, um dos principais incentivadores do projeto, já é motivo suficiente para um programa de mobilidade sustentável. Vantagens - Para a empresa as vantagens são inúmeras. “Ter mais funcionários pedalando vai gerar uma redução dos gastos com afastamento de funcionários, reembolso de medicamentos e planos de saúde, além de diminuição do espaço de estacionamento”, diz Luís Cláudio que lembra que no espaço destinado para uma vaga de carro cabem de 8 a 12 bicicletas dependendo do tipo de bicicletário. O programa também tem impacto sobre a produtividade da empresa. Segundo a revista Bibliomed uma atividade física regular e o deslocamento para o trabalho sem o estresse de congestionamentos e procura por vagas, tornam os funcionários mais eficientes. Da mesma forma, o ciclismo é um exercício de baixo impacto e sua prática ajuda a prevenir inúmeros problemas de saúde como sedentarismo, estresse, doenças do coração, diabetes, osteoporose, entre outros. E ao contrário do que muitos pensam, o nível de poluição dentro dos veículos é superior do que ao ar livre. Segundo relatório da Comissão Européia “Cidades para bicicletas, cidades de futuro”, um automobilista respira duas vezes mais gás carbônico e 50% a mais de óxido de azoto.do que um ciclista. Outra vantagem é que ao utilizar a bicicleta é mais fácil variar a rota, evitar engarrafamentos e procura por vagas. Poluição - Uma iniciativa como esta também tem impacto na diminuição da poluição nas cidades já que os veículos respondem por quase 90% do total de gases tóxicos lançados na atmosfera e pelos elevado nível de ruído nas ruas de tráfego mais intenso. Curitiba é a cidade mais motorizada do país, com um milhão de veículos para 1,8 milhão de habitantes. Além disso, é a segunda capital brasileira com maior número de homicídios culposos causados por acidentes de trânsito segundo o Relatório Avaliação Ambiental (IPPUC, 2007). A prática do ciclismo também interfere na paisagem urbana, já que boa parte do espaço público e privado da cidade é destinado ao automóvel. “Incentivar transportes alternativos é um caminho para retomar esse espaço perdido em ruas, estacionamentos, garagens e outros”, opina o funcionário da Celepar. Segurança - Registros do Corpo de Bombeiros e do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTRAN) de 2007 mostram que se utilizada com o devido cuidado a bicicleta é um meio bem mais seguro que o carro. Esses registros indicam que 42,21% dos acidentes de bicicleta foram por “quedas”, sem a intervenção de nenhum outro veículo. Os acidentes com objetos fixos e outras bicicletas somam mais 24,6%. Além disso, uma pesquisa feita pela Unesco para o governo brasileiro apontou que 95% dos acidentes com ciclistas ocorrem em cruzamentos. E que as colisões por trás, em que o motorista ou motociclista atropelam ciclistas, não passam de 0,08% do total. Outro dado importante é que os acidentes de trânsito são hoje uma das principais causas de morte no país, segundo dados da pesquisa de mortalidade por acidentes de transporte terrestre promovida pela Organização Mundial de Saúde (OMS). “Esse dados servem para afirmar que o risco de acidentes é quase nulo se o ciclista tem experiência, conhece as leis de trânsito e assume uma postura defensiva. Outro dado interessante é a avaliação da Bicycle Helmet Research Foundation que indica que a medida que aumenta o número de ciclistas, diminui o número de acidentes com os mesmos”, justificam os proponentes do projeto. Fonte: Celepar
Érica Montenegro Do Correio Braziliense 27/11/2007 08h22- As mudanças no DF com uma população superior aos 3 milhões de habitantes, em 2020, também deformarão a paisagem de Brasília traçada por Lucio Costa. Os que chegarem pelos céus não vão ver mais as linhas do avião que caracterizam o Plano Piloto porque seus contornos terão sido tragados pelo asfalto e pelo concreto. As ruas, principalmente as do centro do DF, estarão engarrafadas com uma frota de 2,8 milhões veículos, mais do que o triplo da frota atual. Ou seja, o cotidiano dos moradores será de engarrafamentos monumentais dentro do Plano Piloto e nas entradas e saídas das asas Sul e Norte. “O número de carros está crescendo mais rápido do que o de pessoas. Não falta muito para Brasília parar”, aponta Joaquim Aragão, especialista em transporte público. “Nossa idéia é tornar o transporte público mais atraente, para que o cidadão acredite ser vantajoso deixar o carro em casa”, afirma Dalve Soria, subsecretário de Transportes, um dos responsáveis pela implantação do Brasília Integrada. Especialistas acreditam também que os níveis de poluição do ar deverão ser tão preocupantes quanto o ritmo de desmatamento atual, o crescimento desordenado de condomínios e outras áreas urbanas de periferia.
Fonte: Correio Braziliense
| Start: | Sep 4, '07 7:00p | | End: | Sep 23, '07 | | Location: | Livraria Cultura CasaPark |
Palestra e Lançamento de Livro Terça-feira, 4 de setembro às 19h Tema: Acidentes de trânsito - A responsabilidade é de todos nós Livro: ROTA DE COLISÃO - A cidade, o trânsito e você Editora: Berlendis & Vertecchia Editores Autor: Eduardo Biavati e Heloisa Martins Palestrantes: Eduardo Biavati e Heloisa Martins Local: Livraria Cultura CasaPark Shopping Center - SGCV - Sul, Lote 22, Loja 4-A, Zona Industrial, Guará - Brasília-DF A violência do trânsito nas ruas e estradas é uma velha conhecida das famílias brasileiras. Quem não tem ao menos uma história de perda para contar? Apenas em 2005, quase 27 mil pessoas morreram em acidentes de trânsito no país. O fenômeno é geral e tem endereço privilegiado: entre os jovens, esses acidentes são a segunda causa de morte e a primeira causa de incapacitação física permanente. Mas os autores desse livro ousam dizer que acidente de trânsito não existe. Há muito pouco de acidental e fortuito no espetáculo da violência do trânsito de todos os dias. A esmagadora maioria das ocorrências de trânsito, ao contrário do que parece, acontece por causas bem previsíveis. Isso, é claro, tem a ver com a atitude das pessoas em relação aos outros e também a si mesmas. Mas essa não é a explicação completa. O trânsito, nesse livro, é o ponto de partida para uma inovadora reflexão sobre a sociedade, a cidadania e a vida nas cidades, hoje.Eduardo Biavati e Heloisa Martins nos convidam a olhar para a cidade real em que vivemos. Ela não é apenas uma estrutura física que abriga os encontros e os relacionamentos de seus habitantes – os cidadãos. A cidade determina nossos deslocamentos e, muitas vezes, o acidente de que somos vítimas. Mas isso não precisa ser um conflito permanente. Dirigido especialmente aos leitores jovens, esse livro pretende refletir sobre as regras de trânsito e, principalmente, sobre as razões pelas quais elas não parecem ser suficientes para mudar a realidade dos conflitos no trânsito. Para além da regra, o livro convoca o leitor a pensar nos limites do corpo humano diante da violência do trânsito e busca na delicadeza dos neurônios argumentos incomuns para o respeito a si mesmo e aos outros com quem partilhamos o espaço público. “Rota de colisão” apresenta novas razões para nos protegermos no trânsito, mas alerta que dependemos sempre uns dos outros, e que somente juntos conseguiremos mudar a realidade nas ruas de nossas cidades. Sobre os palestrantes/autores: * Heloisa Martins é historiadora e Mestre em Administração Pública e Planejamento Urbano (FGV-SP) Trabalha há mais de 30 anos com planejamento urbano e de trânsito. Atualmente, coordena os trabalhos da Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET-SP) sobre segurança para motociclistas. * Eduardo Biavati é Mestre em Sociologia e especialista em segurança no trânsito. Por mais de dez anos coordenou o Programa de Prevenção a Acidentes de Trânsito da Rede Sarah de Hospitais, tendo desenvolvido abordagem de prevenção dos acidentes centrada na fragilidade do corpo humano.
Ciclistas esperam que o Governo do Distrito Federal construa 116 quilômetros ainda este ano. ONG Rodas da Paz diz que para dois terços dos 400 mil ciclistas ... Import.flv (8.0 MB)
Paulo Cesar Marques da Silva Professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Brasília (UnB), é doutor em Transportes pela University College London (Inglaterra)
Seria leviano atribuir a morte trágica de mais dois ciclistas atropelados no acostamento do Lago Norte, na última semana, à política de aumentar os limites de velocidade de algumas vias. Mas a circunstância de que a perda das duas vidas aconteceu exatamente no dia em que as placas de 60km/h foram substituídas pelas de 70 km/h no local nos obriga a refletir seriamente sobre os efeitos desse desatino com que o Detran quer marcar a reedição do programa Paz no Trânsito.
Ainda há alguns dias, em debate numa emissora de televisão, tive a oportunidade de ouvir do representante do Detran que as vias sujeitas a aumentos de velocidade não são escolhidas aleatoriamente, mas sim com base em estudos técnicos. O apresentador do programa então pediu detalhes de tais estudos e todos aprendemos que se trata do monitoramento dos índices de acidentes — vias que apresentam altos índices não são candidatas à dilatação dos limites de velocidade. Convenhamos, é um critério pouco responsável.
É o próprio Detran que nos informa que a primeira edição do Paz no Trânsito e a implantação da fiscalização eletrônica de velocidade fizeram o número de mortes no trânsito cair de 610 em 1996 para 465 em 1997. O número de mortos por 100 mil habitantes caiu de 34 para 22 no mesmo período e está hoje um pouco abaixo de 20. Coincidência ou não, as velocidades médias nas vias do Distrito Federal caíram abruptamente, também nesse período, em cerca de 40% e vêm se mantendo estáveis graças à fiscalização eletrônica. Sem dúvida, são resultados alentadores — mas não podemos nos dar por satisfeitos com esses números. Só para termos uma idéia, a meta da Política Nacional de Trânsito é reduzir a 14 o número de mortos por 100 mil habitantes até 2010. Ou seja, se reduzimos em 40% esse índice num período de 10 anos, temos só mais três anos e meio para reduzi-lo em outros 30%. De onde vem, então, a idéia esdrúxula de aumentar as velocidades?
O argumento que o Detran vem apresentando à população é da redução dos tempos de viagem. É claro que velocidades mais altas reduzem os tempos de viagem. Mas será que nós temos uma noção razoavelmente precisa do que é essa economia? Façamos uma conta simples. A via L4 Sul tem aproximadamente 10km de extensão. Percorrendo-a de ponta a ponta, no limite de velocidade anterior, de 70 km/h, gastávamos 8 minutos e 34 segundos. Com o novo limite, de 80 km/h, gastamos 7 minutos e 30 segundos. Isso mesmo – uma incrível economia de 1 minuto e 4 segundos. Outros exemplos? Nos aproximadamente 3km da EPJK (entre a DF-001 e a Ponte JK), o aumento de 70 km/h para 80 km/h nos proporciona um ganho de 19 segundos; nos 9km do Lago Norte (de 60 km/h para 70 km/h), 1 minuto e 17 segundos. Formidável.
O argumento fica ainda mais frágil quando o Detran diz que o objetivo é aumentar a fluidez nos horários de pico. Ora, nesses horários a velocidade não fica limitada pela regulamentação, mas sim pela concentração de veículos. Em outras palavras, é a alta demanda veicular, levando a operação da via para os limites de saturação, que impõe as restrições de velocidade nesses horários. Isso é tão elementar que a insistência do Detran em usar tal argumento deixa no ar a forte sensação de abuso demagógico da boa-fé da população.
O mais grave de tudo, entretanto, está nas conseqüências do aumento da velocidade sobre a ocorrência e a severidade dos acidentes. O impacto de um choque ou de um atropelamento depende da energia cinética do veículo em movimento, ou seja, varia com o quadrado da velocidade. Portanto um aumento de, por exemplo, 17% na velocidade (de 60 km/h para 70km/h), que significa 14% de redução no tempo de viagem, corresponde a um choque 36% mais grave. Por isso morrem 50% das pessoas atropeladas a 50 km/h, 90% das atropeladas a 70 km/h e praticamente 100% das atropeladas acima de 80 km/h. Além disso, mesmo quando a velocidade alta não é o fator principal de determinado acidente, ela pode impedir que o acidente seja evitado.
Assim, o Detran prestaria um serviço muito melhor à população do Distrito Federal se divulgasse fatos como esses, que ajudam a desconstruir a nefasta cultura da velocidade, em vez de jogar para a platéia medidas que não atingirão os objetivos anunciados e ainda comprometerão severamente os esforços de anos para assegurar um trânsito mais humano. Ainda é tempo de recolocar o Paz no Trânsito no rumo certo.
Fonte: Correio Braziliense. |
| Start: | Jun 11, '06 9:00a | | Location: | Esplanada dos Ministérios, Brasília |
Prepare-se!!! Dia 11 de junho teremos o Passeio Ciclistico Anual do Rodas da Paz!!! Convidamos você e sua família para conosco repetirmos o sucesso dos últimos anos e reunirmos mais de 3000 pessoas nessa grande manifestação pela paz no trânsito! Esta é a sua oportunidade de fazer valer seu direito de ter um trânsito mais humano, ecologicamente correto, auto-sustentável, em sintonia com as cidades mais modernas do mundo, capaz de contribuir com a melhoria da qualidade de vida de nossa cidade e, principalmente, que proporcione segurança para ir e vir, independente do veículo que você escolheu! A concentração será a partir das 9:00, em frente ao Congresso Nacional. A participação é livre e gratuita. Serão distribuidas 3.000 caramanholas (garrafinhas squeeze) e centenas de camisetas (as 300 primeiras pessoas que chegarem ganham a camiseta do passeio, a partir desse número, elas serão vendidas). Tambem será distribuido, gratuitamente, senhas que valerão para o sorteio de bicicletas. Durante o passeio, os ciclistas seguirão juntos, acompanhando um trio elétrico, e escoltados pela polícia, em velocidade baixa, de forma que todos possam acompanhar e concluir o percurso. Ouça a chamada veiculada no rádio aqui.
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