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Blog EntryUma vida absurda, aceita como naturalMay 8, '08 7:59 AM
by Sergio for everyone


Fonte: Le Monde diplomatique

Cada novo aumento da produção automobilística é comemorado pela mídia. Compram-se automóveis em 99 prestações. Entupidas, as cidades param. Estaremos, como diz Paulo Mendes da Rocha, nos dedicando a aprimorar a máquina de produzir veneno que inventamos?

José Correa Leite

O governo, os empresários e a mídia comemoraram, em 2007, a produção de três milhões de automóveis no Brasil. Agora, ambicionam uma meta ainda maior. Grande parte desses carros foi vendida na cidade de São Paulo. Todos os dias, 650 novos automóveis (além de 250 motos) são licenciados. São apenas os últimos acréscimos a uma frota de seis milhões de veículos — a segunda do mundo. A capital paulista enfrenta um trânsito cada vez mais lento, forçando grande parte da população a passar horas e horas em congestionamentos.

Apesar do aumento do preço do petróleo, a indústria automobilística mundial conhece um de seus maiores booms. Fabricantes indianos e chineses introduzem no mercado veículos de 2.500 dólares, que cedo ou tarde chegarão aqui. No Brasil, carros zero são agora financiados em até 99 meses.

É perceptível que a velocidade de circulação nas cidades brasileiras está caindo rapidamente (o Rio de Janeiro está seguindo o caminho de São Paulo). Todos vêm sentindo as conseqüências tanto da irresponsabilidade das autoridades para com o transporte coletivo quanto da expansão sem barreiras da frota de veículos. A quantidade dos que rodam em São Paulo cresceu. Em um ano, houve um aumento de 7%, sendo três quartos automóveis que, normalmente, circulam apenas com seus motoristas. A enorme expansão do número de motocicletas (cerca de um milhão), autorizadas pela legislação em vigor a circular entre as faixas, também contribui para degradar o trânsito e aumentar as mortes em acidentes.

Os problemas não se restringem ao trânsito. A poluição, causada essencialmente pelos veículos, em São Paulo, voltou a piorar, agravando, também, as tendências ao aquecimento da região.

A cada dia, duas ou três horas da vida de dez milhões de pessoas seja jogada fora, num estresse sem propósito. Mas elas têm dificuldades de perceber seu caráter grotesco

Temendo desgastar-se, a prefeitura não adota medidas de restrição à circulação de veículos — como pedágios urbanos, praticados nas capitais européias, exclusão dos automóveis particulares do centro velho, aumento do rodízio (como fez a Cidade do México) e da fiscalização (um terço da frota é irregular), maiores restrições a caminhões no centro ou a simples expansão das zonas azuis. Também não acelera a criação de corredores exclusivos de ônibus, por pressão dos comerciantes e moradores das vias onde eles seriam implantados.

O prefeito Gilberto Kassab afirmou que os congestionamentos são resultado da falta de investimento municipal na expansão do metrô nos últimos 32 anos. Para Kassab, agora “não adianta chorar sobre o leite derramado” [1]. O presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego (e seu gestor em vários governos conservadores) Roberto Scaringella foi mais franco: não haverá “medidas radicais que dariam fluidez” ao trânsito, porque “podem impactar negativamente a economia”. “A conseqüência é que a gente terá de aprender a conviver com um número maior de quilômetros de lentidão. Quando eles se excedem, não gera um colapso da cidade, mas a deterioração e a delinqüência urbana”, completou Scaringella [2]. Pressionada pela imprensa, a prefeitura acabou anunciando uma série de medidas, mas elas são cosméticas: redução do espaço para estacionamento em algumas ruas, divulgação de rotas alternativas às vias principais etc.

A atuação do governo do Estado também é marcada pela inação. Ele não acelera a expansão do metrô e, tampouco, cumpre as metas de construção da Linha 4 - Amarela, onde os métodos privatistas geraram sucessivos desastres e atrasos [3]. Perdido em disputas menores de rateio dos custos com a prefeitura, o governo, nem mesmo, geri uma integração adequada com a rede de ônibus.

É absurdo que duas ou três horas por dia da vida de dez milhões de pessoas seja jogada fora, em um estresse sem propósito. Mas o sistema do automóvel está tão profundamente arraigado no imaginário das pessoas que elas têm dificuldades de perceber seu caráter grotesco. É aceito como natural ou inevitável, permitindo que governantes ajam de forma irresponsável.

No entanto, como afirma o arquiteto Paulo Mendes da Rocha, “é como se tivéssemos inventado uma máquina de produzir veneno e, todo dia, nos empenhássemos em aprimorá-la. A questão dos transportes é fundamental. Não se trata, puramente, de introduzir conforto. Trata-se de ver que, queimar petróleo para transportar uma pessoa de 60 quilos numa lataria de 700 quilos, que não anda, é um erro grave. É repugnante ver a cidade congestionada de carros que não andam. A questão não é fazê-los andar, é ver que isso não tem saída, o transporte individual é uma bobagem. Construir túneis e viadutos é aprimorar a máquina do veneno. E já não importa que o carro não ande, porque você vê todo mundo lá dentro falando no celular, usando o laptop... É a rota do absurdo” [4].

O correto é que o uso do transporte individual seja desestimulado, o coletivo favorecido e o usuário do carro passe a pagar por todo o impacto que provoca

O proprietário do carro impõe, a toda sociedade, custos que ele não paga no IPVA ou quando compra o automóvel. Ocupação do espaço público (50% do território urbano em São Paulo é dedicado ao transporte), perda de tempo, danos à saúde de milhões de pessoas etc. O correto é que o uso do transporte individual seja desestimulado, o coletivo favorecido e o usuário do carro passe a pagar por todo o impacto que provoca.

Parece evidente que não se pode esperar nada dos governantes! Esse é um problema que São Paulo só poderá enfrentar se organizar um movimento cidadão que reúna força política para libertar a cidade da ditadura do automóvel. Uma mobilização com propósitos claros, capaz de impor uma expansão da oferta e qualidade do transporte público e reduzir o espaço para o carro.

Assistimos, nos últimos anos, ao acúmulo de uma série de problemas de novo tipo, gerados pela lógica sem freios do mercado. Esse cobram um preço humano e ambiental cada vez maior.

O caso mais notório é o do aquecimento global, resultado de toda a economia do petróleo, carvão e automóvel, associada ao consumismo desenfreado. Ela exige pensarmos a atividade produtiva em função das necessidades humanas e não da busca do lucro e, portanto, do crescimento. Mas, como manter o capitalismo sem a maior expansão possível?

E agora os moradores de São Paulo enfrentam as conseqüências da irracionalidade que representa a “racionalidade” do mercado. Cada um busca satisfazer seus desejos na lógica do transporte (ou do consumo) individual, sem que haja intervenção do poder regulador de caráter público tolhendo os absurdos que o consumismo carrega.

Todas são questões que colocam a necessidade de outra vida e de outra organização da nossa sociedade em discussão.



[1] Folha de S.Paulo, 7/3/2008, p. C6.

[2] Folha de S.Paulo, 9/3/2008, p. C3

[3] Quando licitada em 2001, a Linha 4 - Amarela estava prevista para entrar em operação em 2006. Mas, na melhor das hipóteses, ela começará a funcionar de forma parcial, em 2010!

[4] Entrevista concedida à Carta Capital, 15 de agosto de 2007, p. 64


Blog EntryVotos para 2008Jan 2, '08 11:18 AM
by Sergio for everyone

Érica Montenegro
Do Correio Braziliense

27/11/2007
08h22
-As mudanças no DF com uma população superior aos 3 milhões de habitantes, em 2020, também deformarão a paisagem de Brasília traçada por Lucio Costa. Os que chegarem pelos céus não vão ver mais as linhas do avião que caracterizam o Plano Piloto porque seus contornos terão sido tragados pelo asfalto e pelo concreto. As ruas, principalmente as do centro do DF, estarão engarrafadas com uma frota de 2,8 milhões veículos, mais do que o triplo da frota atual. Ou seja, o cotidiano dos moradores será de engarrafamentos monumentais dentro do Plano Piloto e nas entradas e saídas das asas Sul e Norte. “O número de carros está crescendo mais rápido do que o de pessoas. Não falta muito para Brasília parar”, aponta Joaquim Aragão, especialista em transporte público.

“Nossa idéia é tornar o transporte público mais atraente, para que o cidadão acredite ser vantajoso deixar o carro em casa”, afirma Dalve Soria, subsecretário de Transportes, um dos responsáveis pela implantação do Brasília Integrada. Especialistas acreditam também que os níveis de poluição do ar deverão ser tão preocupantes quanto o ritmo de desmatamento atual, o crescimento desordenado de condomínios e outras áreas urbanas de periferia.

Fonte: Correio Braziliense

Blog EntryAquecimento global...Apr 16, '07 10:19 AM
by Sergio for everyone

Blog EntryEmissões de CO2 chegam ao nível mais altoSep 1, '06 2:33 PM
by Sergio for everyone
Emissões de CO2 chegam ao nível mais alto

 
Aquecimento global está perto de um ponto irreversível. Especialista diz que EUA são antiéticos

Roberta Jansen escreve para “O Globo”:

A despeito do debate internacional e de algumas medidas adotadas na luta contra o aquecimento global, as emissões de gases do efeito estufa só fazem aumentar.

Segundo dados das Nações Unidas, as emissões alcançaram, em 2004, seu volume mais alto em uma década: naquele ano foram lançadas 17,8 bilhões de toneladas na atmosfera, 1,6% a mais que em 2003.

Na análise de especialistas, se continuar assim, o mundo caminha a passos largos para uma catástrofe climática.

O novo presidente da Associação Americana para o Avanço da Ciência, John Holdren, afirmou à BBC que o clima mundial está mudando muito mais rapidamente do que o previsto e que, em breve, a situação será irreversível.

“Estamos vivenciando uma perigosa intervenção humana no clima mundial e vamos vivenciar muito mais”.

Os governantes precisariam agir já e de forma bastante agressiva para tentar alterar o quadro. Sobretudo os Estados Unidos, os maiores emissores.

“O tempo de fazer alguma coisa está acabando”, afirmou Don Brown, da Universidade Estadual da Pensilvânia, ex-assessor do então presidente Bill Clinton, dos EUA, no Rio para participar do debate “A dimensão ética das mudanças climáticas”, organizado pela Coppe/UFRJ. “Reduzir um pouco o volume das emissões não adianta. A redução a ser feita é muito grande. Precisamos cortar de 60% a 80% das emissões.”

Segundo a ONU, a maior parte do aumento de emissões em 2004 foi causada pela elevação de 1,7% do volume de gases lançados na atmosfera pelos EUA — o maior emissor do mundo, com 7 bilhões de toneladas.

“Nesse ritmo, chegaremos ao fim do século lançando 20 bilhões de toneladas por ano”, denunciou Brown. “Para termos uma estabilização de fato do volume de CO2 na atmosfera, teríamos que emitir apenas 3 bilhões.”

Crescimento acumulado desde 1990 é de 15% Segundo Brown, o índice de emissões dos EUA vem crescendo 1,5% ao ano. O crescimento é registrado desde 1990 e já acumula um aumento de aproximadamente 15%.

Brown, que defendeu a entrada dos EUA no Protocolo de Kioto (George W. Bush se recusou a ratificá-lo), admite que as metas do acordo são simbólicas, mas necessárias.

As leis estaduais que começam a surgir, estabelecendo limites de emissões, são importantes, diz Brown, mas uma solução mais global é indispensável.

“As emissões estão hoje 14% acima dos níveis de 1999, quando, segundo Kioto, deveriam estar 7% abaixo”, apontou Brown.

Para o especialista, as justificativas usadas pelos EUA para não ratificarem Kioto ou adotarem medidas mais eficazes contra o aquecimento são antiéticas.

“Os três grandes argumentos do governo americano são condenáveis do ponto de vista ético”, sustentou Brown.

Uma das justificativas de Bush é a de que não haveria provas científicas ligando as emissões ao aquecimento do planeta.

“Mesmo os cientistas mais otimistas apontam as conseqüências”, afirmou Brown. “E, até esperarmos todas as certezas, o dano será irreversível”.

As outras justificativas são o custo da redução à economia americana e o fato de os países em desenvolvimento não estarem incluídos nas reduções previstas por Kioto.

“É um problema para o mundo todo, não só para os EUA. E nem está claro que afetaria tanto assim. Parece que afeta, sim, interesses de grupos de petróleo poderosos”, afirmou. “Também não faz sentido dizer que não vai fazer nada porque outros não estão fazendo. É o mesmo que dizer que vai roubar porque outros roubam. Não é eticamente racional.”
(O Globo, 1º/9)

Bicicleta na Via
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