Group's posts with tag: efeito estufa

What are tags? You can give your posts a "tag", which is like a keyword. Tags help you find content which has something in common. You can assign as many tags as you wish to each post.
View posts by people in your network with tag efeito estufa
VideoCampanha Ciclovia Ilha - Caxias , RJ Jan 26, '08 6:20 PM
by alex for everyone
o projeto piloto da primeira Ciclovia Participativa, uma idéia dU Biker para criar ciclovias em periferias abandonadas


UB_New.mov (11.5 MB)

Blog EntryO totem do capitalApr 24, '07 8:25 AM
by Sergio for everyone
 

O totem do capital

por Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa

O automóvel é um dos propulsores do desenvolvimento contemporâneo, mas a paixão desvairada por ele ameaça a natureza e a civilização

Assim como os antigos sacrificavam colheitas, gado e até os filhos a ídolos e ícones aos quais seus sacerdotes atribuíam poderes imensos e uma profundidade insondável, a humanidade da era industrial sacrifica tempo, espaço, riquezas naturais e, às vezes, as próprias vidas a essas máquinas às quais os publicitários atribuem virtudes igualmente mágicas. Até as guerras empalidecem ante as estatísticas do trânsito, sem que isso inspire tanto horror quanto seria de esperar. Trata-se de sacrifícios humanos socialmente aceitos.

No mundo, os acidentes matam 1,2 milhão de pessoas por ano e ferem ou incapacitam outros 50 milhões. O custo material dessas tragédias é 518 bilhões de dólares por ano – 65 bilhões só nos países periféricos, mais do que recebem em ajuda externa. Segundo a Organização Mundial da Saúde, são a segunda maior causa de mortalidade global dos 5 aos 29 anos (depois das infecções respiratórias para as crianças e da Aids para os jovens) e a terceira dos 30 aos 44 (depois da Aids e da tuberculose). Nos países ricos, são a primeira causa até os 44 anos.

Do espaço disponível nas cidades dos EUA, 43% destina-se a ser usado não por seres humanos, mas por seus ídolos e algozes mecânicos: 33% para ruas e avenidas, 10% para estacionamentos. Considerando que há nesse país 770 automóveis por mil pessoas, pode-se dizer que cada carro dispõe de mais espaço para se movimentar do que cada pessoa dispõe para descansar, divertir-se, trabalhar e guardar o restante de suas posses. Como se chegou a isso?

Como atestaram o conto Mecanópolis de Miguel de Unamuno, em 1913, e a peça Robôs Universais Rossum, de Karel Capek, em 1921, assim como os filmes Metrópolis, de 1927, Alphaville, de 1965, Matrix, de 1999, e Eu, Robô, de 2004, o imaginário da civilização industrial é assombrado com cada vez mais freqüência pelo vago temor de máquinas a dominar ou a substituir a espécie humana.

Na maioria das vezes, tais máquinas são imaginadas como robôs ou andróides invencíveis ou como computadores de inteligência sobre-humana. Entretanto, na medida em que essa ansiedade responde a algo de real, não se trata de verdadeiras máquinas autoconscientes, mas sim da característica do capitalismo de estabelecer relações de produção não de ser humano para ser humano, como nas antigas sociedades escravistas e feudais, mas por meio de objetos – de mercadorias cobiçadas como símbolo de status a máquinas usadas na produção.

Assim como certas religiões transformam simples objetos – estátuas, símbolos, livros – em fetiches e ídolos com vontade e poderes próprios, o mesmo faz o capitalismo. O fetichismo ou personalização da mercadoria, núcleo do primeiro capítulo de O Capital, certamente não está entre os conceitos de Marx que se tornaram obsoletos. O mesmo pode-se dizer de sua contrapartida, a destituição do ser humano de si mesmo, sua coisificação: são tendências hoje muito mais irresistíveis do que eram em 1867.

Cada vez mais, o operário trabalha não para um patrão humano, mas para uma empresa impessoal que não parece ser mais que um capital, um amontoado de máquinas e outros ativos. Segundo o jornalismo econômico, decisões econômicas que podem conduzir uma nação inteira ao crescimento ou ao colapso não são tomadas por banqueiros e investidores poderosos, mas por um misterioso conjunto de papéis, telas e computadores chamado “mercado”.

Mais ainda, a se acreditar nos publicitários e nos gurus da auto-ajuda e da “psicologia evolucionária”, o desejo é condicionado – não pela sociedade, mas pela própria natureza – a reagir menos às características físicas, afetivas e sociais do parceiro que às suas posses materiais.

O popular psicólogo David Buss é um desses que dão verniz científico ao senso comum das classes médias condicionadas a competir e consumir – mais precisamente, dos universitários estadunidenses que respondem às suas pesquisas. Afirma que as mulheres, de qualquer classe e cultura, valorizam em primeiro lugar as boas possibilidades financeiras do parceiro. Ou, como dizem portadores da mesma síndrome em terras bandeirantes, “quem gosta de homem é gay, mulher gosta é de ‘karatê’ – cara ter poder, cara ter dinheiro, cara ter carro”.

Como o poder só se faz evidente nas celebridades, como o saldo bancário não vem escrito na testa, como as roupas e os modos são indicadores cada vez menos confiáveis de condição social, o carro passou a ser, por excelência, o atestado visível e móvel de classe e riqueza – e, ao menos na fantasia de seus donos, também de direito ao amor, ao respeito e à inveja do próximo. Desde as primeiras transmissões de tevê e os primeiros salões de automóvel, os publicitários associam sistematicamente automóveis a belas modelos. A ponto de que, para o paulista, uma mulher desejável é uma “máquina” – um carro, é claro. Se for muito desejável, um “avião” – luxo para poucos, admite-se com um suspiro.

No início da genealogia da cultura de ansiedade a respeito das máquinas talvez se possa pôr O Homem de Areia, de E.T.A. Hoffmann. Escrito em 1816, inspirou um famoso ensaio de Sigmund Freud, O Estranho (Das Unheimliche), e foi considerado o primeiro conto de ficção científica da história por Isaac Asimov, o autor dos livros que inspiraram Eu, Robô.

Um professor de Física apresenta a filha Olímpia aos alunos. É bela, canta bem e presta muita atenção ao interlocutor, sem bocejar ou dar qualquer sinal de tédio ou distração. O olhar é vazio e a fala escassa – seguidos “ah, ah”, de concordância, no final, um “boa noite, querido” –, mas isso deixa o protagonista ainda mais cativado por tal alma misteriosa e profunda, única a compreender seus sentimentos e elucubrações e aceitá-los sem restrições. Mas a amada vem a ser apenas um autômato – um robô, diríamos hoje – e a descoberta o leva à loucura.

No conto de Hoffmann, só o romântico e perturbado Natanael se deixa seduzir pela máquina. Os colegas são iludidos pela aparência de vida e vêem a beleza, mas a aparente estupidez e inexpressividade os mantêm a distância e sua estranheza os amedronta. Hoje, ao contrário, unheimlich é não se deixar seduzir, não lutar pela(s) melhor(es) máquina(s) que a renda familiar permita manter.

Resultado: do consumo de petróleo nos países desenvolvidos, causa principal do aquecimento global que ameaça o equilíbrio ecológico e o futuro da civilização, os veículos representavam 42% em 1973. Em 2000, sua participação havia aumentado para 58% e essa porcentagem tende a aumentar. Hoje, o consumo de petróleo na indústria e na geração de eletricidade é relativamente estável e a maior parte do crescimento da demanda está relacionado aos transportes. Não se trata apenas da operação do veículo propriamente dita: esta representa dois terços do consumo, mas outro terço está relacionado à fabricação e manutenção dos veículos e à construção de infra-estrutura (ruas, estradas, estacionamentos, postos de serviços) para possibilitar o seu uso.

Na maior parte (85%), isso significa transporte sobre pneus: ferrovias, navios e aviões representam só 15%. Por trás da magia dos fetiches e do discurso publicitário da elegância e da aerodinâmica, o automóvel é um meio de transporte extremamente ineficiente. Apesar dos aperfeiçoamentos introduzidos desde o choque do petróleo dos anos 70, só 12% do combustível produz movimento útil. O resto é perdido pelo sistema de refrigeração do motor ou desperdiçado em escapamento, freagem ou atrito no motor, transmissão e eixos. Da energia posta em movimento, talvez 5% a 20%, dependendo do veículo e da ocupação, é para transportar pessoas e seus pertences: o resto movimenta a própria massa do carro. Noves fora, um carro é 1% transporte e 99% desperdício e exibição.

Em sua primeira visita à Terra, um extraterrestre pouco sofisticado poderia julgar que o automóvel é a espécie dominante do planeta e que os humanos são seus escravos, sem fazer muita distinção entre culturas. Na verdade, há graus de devoção: europeus e asiáticos são mais comedidos. Satisfazem-se com carros menores e investem muito em transporte coletivo, criando e mantendo eficientes e velozes trens de passageiros e amplas redes de transporte metropolitano.

Já os americanos – estadunidenses, sobretudo, mas também os brasileiros mais remediados – entregam-se ao culto sem reservas e procuram reprimir as heresias. Salvo por melancólicas estações de subúrbio, os trens de passageiros foram abolidos ou relegados a museus. Os metrôs, quando existem, são embrionários.

Mesmo o transporte público sobre pneus é lento, precário, como se fosse o caso de condenar ao inferno aqueles que não pagam o dízimo à verdadeira religião. Nos anos 90, o tempo médio em uma viagem de casa ao trabalho era de 51 minutos no Rio de Janeiro, ante 36,5 minutos em Nova York e 35 em Paris, mas para muitos dos mais pobres, o suplício dura, ainda, até três horas. A classe média motorizada escapa dessas penas mais cruéis para o purgatório dos engarrafamentos e rodízios. O céu, claro, é dos ricos e de seus helicópteros.

O carro pode ser uma fantasmagoria enquanto corporificação de impulsos eróticos desviados e a suposta liberdade de movimento que promove é desmentida a cada semáforo e a cada congestionamento. Entretanto, seus efeitos destrutivos sobre a natureza são bem reais. Como também seus efeitos construtivos em relação ao capital. Do fim da Primeira Guerra Mundial aos nossos tempos, a história do capitalismo pode ser dividida em dois períodos: a era do fordismo e a do toyotismo.

Nos anos 20, Henry Ford provocou a maior revolução nos métodos de produção, gestão e regulação do capitalismo desde a invenção da máquina a vapor. A organização racional do trabalho, com otimização e controle minucioso dos tempos e métodos gastos em cada operação, havia sido proposta e implementada pelo engenheiro Frederick Taylor em 1911, mas dependia muito de fiscalização e supervisão por intermediários. De um só golpe, a linha de montagem de Ford deu forma material e objetiva ao controle e o tornou praticamente automático. Em vez de ser simplesmente apressado pelo contramestre, o operário tinha de correr para acompanhar o ritmo da esteira, como Carlitos em Tempos Modernos.

Ford não se satisfez com o controle absoluto do processo produtivo em suas fábricas: pretendeu também moldar a sociedade e em certa medida o conseguiu.  Para viabilizar fábricas na escala necessária para produzir automóveis em ritmo de linha de montagem, abriu mão do controle direto pessoal do capital e deu impulso à multiplicação das sociedades anônimas que na época ainda eram exceção, mas hoje respondem pela maior parte da economia.

Enquanto o aumento de produtividade reduzia o preço do produto, Ford conscientemente melhorava a remuneração de seus empregados em relação aos padrões da época e os incentivava a adquirir seus automóveis, dando a partida ao modelo de crescimento que respondeu pelos “anos dourados” do capitalismo do pós-guerra ao se espalhar por todo o mundo industrializado ou em vias de industrialização, uma vez que os governos compreenderam a natureza do novo processo e começaram a aplicar as ferramentas keynesianas adequadas à sua coordenação e regulação em escala nacional.

Na versão tropical desses já velhos bons tempos, Juscelino Kubitschek fez o Brasil mergulhar de cabeça na revolução fordista. No início dos “50 anos em 5”, havia apenas um punhado de veículos importados e uma só estrada asfaltada de extensão razoável, a via Dutra. Ao final, várias montadoras estadunidenses e européias estavam instaladas no ABC paulista, cujos produtos podiam, bem ou mal, rodar o país de Belém ao Chuí. Entretanto, as ferrovias, embora tivessem ainda destaque em seu Plano de Metas, foram praticamente abandonadas – e a ditadura militar não fez mais do que aprofundar esse modelo montado, no qual o Brasil se tornou o maior pólo industrial da América Latina, deixando para trás pioneiros como o México e a Argentina.

Nem todas as idéias de Ford foram igualmente bem-sucedidas. Com o objetivo de eliminar a embriaguez, reduzir as faltas ao trabalho e aumentar ainda mais a produtividade, deu um apoio à proibição do álcool que foi decisivo para a vitória da Lei Seca, mas o resultado, como se sabe, foi uma catástrofe social. O excesso de puritanismo de Ford foi-lhe contraproducente também em outros aspectos. Por ver o carro sob o aspecto funcional,  e padronizar ao máximo para baratear seu custo (“Você pode ter seu modelo T de qualquer cor, desde que seja preto”), deixou de explorar todo o potencial do automóvel como símbolo de distinção social e fetiche erótico. Coube à General Motors descobrir esse filão e tomar a liderança.

Ainda assim, Ford fundou a sociedade de consumo. Se Lenin foi um grande admirador de Taylor, Stalin teceu elogios ainda maiores aos métodos de Ford. O escritor Aldous Huxley chegou a imaginar que a revolução fordista duraria para sempre e acabaria por absorver tanto o capitalismo liberal quanto o socialismo: seu Admirável Mundo Novo, escrito em 1932, passa-se no ano 632 d.F. (depois de Ford), quando as pessoas, em vez do sinal-da-cruz, fazem um T.

A era Ford, porém, não durou tanto: a partir dos anos 70, o acirramento da competição internacional pôs abaixo o modelo de planejamento em escala nacional, no qual se podia confiar que praticamente todos os aumentos concedidos aos trabalhadores seriam gastos em produtos nacionais e engordariam o lucro e o capital dos seus empregadores. Juntamente com as crises do dólar e do petróleo, também desmontou a expectativa de que a modernização e o crescimento econômico avançariam, qual linha de montagem, em ritmo previsível e planejável.

Voltada para o mercado externo e pronta para reagir imediatamente a mudanças de conjuntura e de preferências, a grande indústria esforçou-se para livrar-se de seus operários, reduzir seus salários e adotar sistemas de produção mais flexíveis e adaptáveis, enquanto governos e organizações multilaterais davam atestado de óbito ao keynesianismo e aderiam ao neoliberalismo selvagem. Mais uma vez, porém, as montadoras deram o mote e o nome à nova fase do capitalismo: trata-se agora de toyotismo. Mudaram os ritos e os profetas, não os deuses.

Fonte: Carta Capital


Blog EntryAquecimento global...Apr 16, '07 10:19 AM
by Sergio for everyone

Blog EntryVerdade ou não, pedalemos!Feb 5, '07 5:32 AM
by Sergio for everyone
http://www.estado.com.br/editorias/2007/02/03/ger-1.93.7.20070203.12.1.xml?

Petrolífera paga por artigo contra IPCC

ExxonMobil oferece US$ 10 mil para trabalhos que contestem relatório

The Guardian

Um grupo lobista fundado por uma das maiores companhias petrolíferas do mundo está oferecendo dinheiro para que cientistas e economistas escrevam artigos refutando o relatório divulgado ontem pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC).

O Americam Enterprise Institute (AEI) - grupo que exerce pressão no Congresso americano e que teve sua criação financiada pela ExxonMobil - está enviando cartas com ofertas de US$ 10 mil para especialistas que aceitem contestar o relatório. A principal conclusão do estudo do IPCC é que o aquecimento global é provocada pela ação humana, especialmente através do dióxido de carbono gerado pelo combustível que impulsiona os automóveis - produzido a partir do petróleo.

CONCLUSÕES SUMÁRIAS

As ofertas enviadas pelo grupo atacam o relatório como “resistente a críticas e aberto a conclusões sumárias que mal se sustentam em análises”. O grupo pede por artigos que “explorem as limitações do modelo climático proposto pelo IPCC”.

Cientistas que participaram do trabalho dizem que o relatório do IPCC traz “evidências científicas esmagadoras” para sustentar suas conclusões. Segundo David Viner, da Unidade de Pesquisa Climática da Universidade de East Anglia, as ofertas são “tentativas de uma organização que quer esconder seus objetivos políticos”.

MÁFIA

O AEI já recebeu mais de US$ 1,6 milhão da gigante petrolífera ExxonMobil. O vice-presidente do conselho deliberativo do grupo, Lee Raymond, foi um dos diretores da empresa. O grupo também mantém ligações com o governo do presidente George W. Bush, que teve várias empresas da área do petróleo entre as principais financiadores de suas campanhas. Mais de 20 de seus funcionários trabalharam como consultores para o governo Bush.

Para Ben Stewart, dirigente do Greenpeace, “o AEI é mais do que um lobby. Trata-se da Cosa Nostra (máfia) intelectual da Casa Branca”.

“O relatório do IPCC é extremamente sólido. Essas críticas tentam reduzir a confiança da população nos cientistas e evitar que os governos tomem as ações necessárias”, concorda Viner.

Na próxima segunda, outra organização, baseada no Canadá e também ligada à ExxonMobil, vai lançar um trabalho que promove dúvidas sobre a validade científica do relatório do IPCC. Entre os autores estão Tad Murty, um cientista que acredita que as atividades humanas não contribuem para o efeito estufa. Também estarão presentes Nigel Lawson e David Bellamy, defensores da tese de que a queima de combustível fósseis não tem ligação com o aquecimento global.


Blog EntryO preço do descasoOct 31, '06 7:25 AM
by Sergio for everyone
AQUECIMENTO GLOBAL
O preço do descaso

Relatório produzido para o governo britânico conclui que efeitos das mudanças climáticas podem consumir 20% do PIB mundial. Nações mais pobres sofrerão de modo mais intenso e prematuro

Rodrigo Craveiro
Da equipe do Correio

O mais completo relatório sobre aquecimento global já preparado no Reino Unido traz conclusões alarmantes: o custo anual dos efeitos da mudança climática não controlada pode chegar em 2050 a 20% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, estimado em US$ 44,3 trilhões. O atual nível de emissão de gases que provocam o efeito estufa equivale a 430 partes por milhão (ppm) de gás carbônico — durante a Revolução Industrial (1780-1880), esse índice era de 280 ppm. Nos últimos 120 anos, a alta concentração de poluentes no ar provocou um aumento de meio grau centígrado na temperatura média do planeta.

Encomendadas pelo premiê britânico, Tony Blair, e assinadas por Nicholas Stern, chefe do Serviço Econômico, as 700 páginas do Estudo Stern sobre a Economia da Mudança Climática alertam ainda que há 77% de chances de a temperatura global média sofrer um acréscimo de dois graus Celsius em meio século. Numa previsão ainda mais catastrófica, a Terra poderia aquecer cinco graus nas próximas décadas, levando a uma mudança radical na geografia física do mundo (veja o gráfico nesta página). Como conseqüência, a economia mundial encolheria em um quinto, e a humanidade sofreria os mesmos efeitos da Grande Depressão de 1930 — quando a quebra da Bolsa de Valores de Nova York resultou numa recessão econômica que golpeou principalmente as grandes potências.

O documento entregue a Blair prevê ainda que a concentração de gases estufa na atmosfera deve atingir, daqui a 44 anos, o dobro dos níveis pré-industriais (550ppm). Neste ritmo de aquecimento global, secas e inundações farão com que 200 milhões de pessoas se tornem refugiadas neste século. A América Latina seria uma das regiões mais rapidamente afetadas pelas variações do clima, por sua economia depender de recursos naturais.


Realismo
Em entrevista por telefone ao Correio, o britânico Cameron Hepburn — co-autor do estudo e economista especializado em política climática — afirmou que o relatório é “bastante realista”. “Existe um perigo que pode ser devastador”, revela. Segundo ele, o documento trata o problema do ponto de vista econômico e propõe um gerenciamento de riscos. “O texto aborda a necessidade de se impor taxas sobre o preço da emissão de carbono na atmosfera ou de se ampliar o comércio de carbono na Europa.”

Os países signatários do Protocolo de Kyoto instituíram um mercado em que nações com baixos índices de emissões podem vender cotas aos países onde a poluição está acima da média. O relatório britânico defende mais investimentos em tecnologias renováveis e novas legislações para o desenvolvimento de produtos “limpos”. Os efeitos quase catastróficos do aquecimento global destoam do relativo baixo custo para a prevenção. O Estudo Stern estima serem necessários apenas US$ 670 bilhões (1% do PIB mundial) para reverter o quadro.

Uma fonte do governo Blair confirmou à reportagem que todos os países serão afetados pelas mudanças climáticas, mas as nações mais pobres sofrerão de modo intenso e prematuro. Mesmo assim, ela considera o relatório “essencialmente” otimista. “Ainda há tempo de evitar os piores impactos, se agirmos agora e internacionalmente”, afirma. “Governos, empresas e indivíduos precisam trabalhar juntos para responder ao desafio, mas a tarefa é urgente. Atrasar a ação, por uma ou duas décadas, nos levará a um território perigoso”, acrescenta. O Reino Unido e os Estados Unidos acreditam que será necessário reduzir em até 80% as emissões de poluentes até 2050.

As conclusões do estudo assombraram entidades ambientalistas. O Fundo Mundial para a Natureza (WWF-Brasil) considera o texto um indício da urgência para que atitudes contra o aquecimento sejam tomadas durante a 12ª Conferência das Partes sobre o Clima (COP12) — entre os próximos dias 6 e 17, em Nairóbi (Quênia). “Os países em desenvolvimento são os mais afetados economicamente pelas mudanças climáticas. Nossas possibilidades de investimento para nos adaptarmos a essas transformações são menores que as das nações desenvolvidas”, diz Karen Suassuna, técnica em Mudanças Climáticas do WWF-Brasil.


PROVÁVEIS SOLUÇÕES

Propostas do governo britânico para reduzir os efeitos da mudança climática a longo prazo

  • Diminuir as emissões de gases estufa na Europa em 60% até 2050
  • Até 2010, ter 5% de todos os carros do Reino Unido abastecidos com biocombustíveis
  • Criar uma autoridade ambiental independente
  • Estabelecer laços comerciais com Brasil, Papua Nova Guiné e Costa Rica, de modo a assegurar o reflorestamento sustentável
  • Trabalhar com a China em tecnologias limpas de carvão



  • Brasil tem importância

    O governo brasileiro aproveitará a 12ª Conferência das Partes sobre o Clima para apresentar uma proposta de reduções compensadas de emissões de gases estufa provenientes do desmatamento. Para o britânico Cameron Hepburn, co-autor do Estudo Stern, o país é um ator importante na diminuição dos efeitos da mudança climática. “O Brasil tem a tarefa significativa de manter as florestas e pode contribuir bastante com os esforços globais”, diz. “Seria justo que o Ocidente ajudasse o Brasil no processo. O país pode exercer liderança, com uma política antidesmatamento.”

    Hepburn explica que os transportes terrestres e aéreos são responsáveis por 14% das emissões globais de poluentes. “Para reduzi-las, precisamos viajar menos e substituir os combustíveis fósseis. O Brasil também pode se tornar líder, ao aumentar o número proporcional de veículos movidos a biocombustível.”

    Segundo o Departamento de Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia (MME), o Brasil é o maior exportador mundial de álcool — em 2006, serão vendidos 3 bilhões de litros. O país não vende biodiesel para outras nações. “O mercado internacional é incipiente e tem grande potencial”, afirmou uma fonte do MME. (RC)



    Blog EntryEmissões de CO2 chegam ao nível mais altoSep 1, '06 2:33 PM
    by Sergio for everyone
    Emissões de CO2 chegam ao nível mais alto

     
    Aquecimento global está perto de um ponto irreversível. Especialista diz que EUA são antiéticos

    Roberta Jansen escreve para “O Globo”:

    A despeito do debate internacional e de algumas medidas adotadas na luta contra o aquecimento global, as emissões de gases do efeito estufa só fazem aumentar.

    Segundo dados das Nações Unidas, as emissões alcançaram, em 2004, seu volume mais alto em uma década: naquele ano foram lançadas 17,8 bilhões de toneladas na atmosfera, 1,6% a mais que em 2003.

    Na análise de especialistas, se continuar assim, o mundo caminha a passos largos para uma catástrofe climática.

    O novo presidente da Associação Americana para o Avanço da Ciência, John Holdren, afirmou à BBC que o clima mundial está mudando muito mais rapidamente do que o previsto e que, em breve, a situação será irreversível.

    “Estamos vivenciando uma perigosa intervenção humana no clima mundial e vamos vivenciar muito mais”.

    Os governantes precisariam agir já e de forma bastante agressiva para tentar alterar o quadro. Sobretudo os Estados Unidos, os maiores emissores.

    “O tempo de fazer alguma coisa está acabando”, afirmou Don Brown, da Universidade Estadual da Pensilvânia, ex-assessor do então presidente Bill Clinton, dos EUA, no Rio para participar do debate “A dimensão ética das mudanças climáticas”, organizado pela Coppe/UFRJ. “Reduzir um pouco o volume das emissões não adianta. A redução a ser feita é muito grande. Precisamos cortar de 60% a 80% das emissões.”

    Segundo a ONU, a maior parte do aumento de emissões em 2004 foi causada pela elevação de 1,7% do volume de gases lançados na atmosfera pelos EUA — o maior emissor do mundo, com 7 bilhões de toneladas.

    “Nesse ritmo, chegaremos ao fim do século lançando 20 bilhões de toneladas por ano”, denunciou Brown. “Para termos uma estabilização de fato do volume de CO2 na atmosfera, teríamos que emitir apenas 3 bilhões.”

    Crescimento acumulado desde 1990 é de 15% Segundo Brown, o índice de emissões dos EUA vem crescendo 1,5% ao ano. O crescimento é registrado desde 1990 e já acumula um aumento de aproximadamente 15%.

    Brown, que defendeu a entrada dos EUA no Protocolo de Kioto (George W. Bush se recusou a ratificá-lo), admite que as metas do acordo são simbólicas, mas necessárias.

    As leis estaduais que começam a surgir, estabelecendo limites de emissões, são importantes, diz Brown, mas uma solução mais global é indispensável.

    “As emissões estão hoje 14% acima dos níveis de 1999, quando, segundo Kioto, deveriam estar 7% abaixo”, apontou Brown.

    Para o especialista, as justificativas usadas pelos EUA para não ratificarem Kioto ou adotarem medidas mais eficazes contra o aquecimento são antiéticas.

    “Os três grandes argumentos do governo americano são condenáveis do ponto de vista ético”, sustentou Brown.

    Uma das justificativas de Bush é a de que não haveria provas científicas ligando as emissões ao aquecimento do planeta.

    “Mesmo os cientistas mais otimistas apontam as conseqüências”, afirmou Brown. “E, até esperarmos todas as certezas, o dano será irreversível”.

    As outras justificativas são o custo da redução à economia americana e o fato de os países em desenvolvimento não estarem incluídos nas reduções previstas por Kioto.

    “É um problema para o mundo todo, não só para os EUA. E nem está claro que afetaria tanto assim. Parece que afeta, sim, interesses de grupos de petróleo poderosos”, afirmou. “Também não faz sentido dizer que não vai fazer nada porque outros não estão fazendo. É o mesmo que dizer que vai roubar porque outros roubam. Não é eticamente racional.”
    (O Globo, 1º/9)

    Bicicleta na Via
    Join this Group!RSS FeedHelp on RSS FeedsAdd to My Yahoo
    Report Abuse
    © 2008 Multiply, Inc.    About · Blog · Terms · Privacy · Corp Info · Contact Us · Help