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do CorreioWebFrota do DF terá um milhão de veículos em três semanas Brasília está a três semanas de entrar na lista das cidades brasileiras com mais de um milhão de veículos. Em 23 dias, no máximo, o carro de número 1 milhão ganhará as ruas. Além de Brasília, apenas São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Belo Horizonte romperam essa marca. As conseqüências para os motoristas foram desastrosas, em maior ou menor escala, a depender de onde vivem. Além do estresse de ficar horas parado no congestionamento, quem se submete a colocar o carro na rua tem de convier com as restrições. Rodízios, faixas exclusivas para ônibus, cobrança pelo estacionamento em via pública e até proibição de estacionar em determinados locais com grande fluxo de veículos. A adoção de medidas restritivas para Brasília já ronda as discussões entre especialistas em trânsito. Mas o governo local descarta qualquer iniciativa nesse sentido a curto prazo. “Medidas antipáticas só virão em último caso, se o Brasília Integrada não for suficiente para retirar os carros das ruas”, garantiu Alberto Fraga, secretário de Transportes. O Brasília Integrada - que coordena ônibus e metrô no DF - é um dos quatro projetos com os quais o governo pretende evitar o caos no trânsito da capital. Só com ele, espera-se retirar das vias, diariamente, 30% da frota circulante. Como o Departamento de Trânsito (Detran) estima em 850 mil o número de veículos nas vias do DF todos os dias, pelo menos 255 mil carros deverão ficar nas garagens. As outras três propostas são o Trânsito Inteligente; a revitalização das faixas e a criação da Companhia Metropolitana de Trânsito (leia quadro ao lado Fuga Na capital da República ainda não há congestionamento, dizem os especialistas. Chamam de “lentidão” ou “pontos de retenção” o anda-e-pára e a baixa velocidade impostas aos condutores que trafegam por vias como a Epia (entre a Candangolância e o Plano Piloto); a EPTG (Taguatinga-Plano); a BR-020 (entre Planaltina e o Plano Piloto) e nas áreas centrais de Brasília. Seja qual for o nome, a demora entre o ponto de partida e o de chegada já faz o brasiliense mudar a rotina para fugir do trânsito. Entre eles está o servidor público Denir Mendes Miranda, 42 anos. A irritação com o trânsito foi tanta que ele cronometrou qual o meio de transporte era mais eficiente para percorrer os 5km que separam o apartamento dele, na 112 Sul, do Banco Central, na altura da quadra dois, onde trabalha. O teste foi há um ano. De carro, gastou até 40 minutos. De ônibus, 7 minutos se desse a sorte de chegar à parada e embarcar. De bicicleta, o tempo médio é de 25 minutos. Apesar de o intervalo ser maior que o do coletivo, a autonomia e a liberdade falaram mais alto e é sobre duas rodas que Denir vai trabalhar. “Não pego engarrafamento, não tenho de procurar vaga e ainda economizo até R$ 200 por mês”, enumerou o ciclista. Paralelamente às medidas para melhorar o tráfego da cidade, o Detran fará campanhas incentivando outras pessoas a seguirem o exemplo de Denir ou a usarem o transporte público. “Com o Brasília Integrada teremos transporte limpo, rápido e mais barato. Aí teremos argumentos para incentivar a migração”, comentou Délio Cardoso, diretor-geral do Detran. Pelas contas da Secretaria de Transportes do DF, de cada 10 carros, sete transportam apenas o motorista. Câmeras O Detran também pretende colocar 122 câmeras e 22 painéis eletrônicos em pontos estratégicos do DF. As imagens captadas pelos equipamentos serão transmitidas em tempo real para uma central de monitoramento. Os agentes vão localizar os pontos de retenção ou de acidentes no momento em que eles ocorrem. Imediatamente, mandarão mensagem para os painéis orientado os motoristas sobre caminhos alternativos. O projeto está no departamento de compras do governo para ser licitado. E a fiscalização ficará mais rígida com a Companhia Metropolitana de Trânsito. Pelo menos 800 novos fiscais irão às ruas para orientar, educar e multar os infratores. O primeiro passo para que a proposta saia do papel é a aprovação pela Câmara Legislativa. Atualmente o Detran tem 300 agentes, dos quais 200 trabalham em ações administrativas (vistoria e depósito, por exemplo) e 100 fiscalizam o trânsito de todo o DF.
Link: http://www1.folha.uol.com.br/folha/videocasts/ult10038u337713.shtmlDimenstein apresenta criador de mapa cicloviário
da Folha Online O personagem da Vila Dimenstein, desta quinta-feira, é o André Pasqualini. O analista de sistemas preparou uma rota alternativa para os paulistanos fugirem do trânsito. A apresentação é de Gilberto Dimenstein.
O videocast é mais um produto gratuito que a Folha Online oferece para seus leitores. A apresentação é de Vivian Retz.
sobre duas rodasParis assume sua paixão pelas bicicletas Publicada em 16/10/2007 às 19h34m Cilene Guedes, do Globo OnlinePARIS - Paris, essa senhora de mais de dois mil anos de idade, está, enfim, aprendendo a andar de bicicleta. E sem rodinhas de apoio. A capital francesa está assumindo, na rua, seu amor antes não muito mais que platônico pelo "veló". Num país onde o ciclismo é popular como futebol, já não era sem tempo. Mas, agora, em vez de apenas admirar pelotões de ciclistas atléticos durante o Tour de France, Paris está, ela mesma, saindo para pedalar. O mérito de começar a tirar essa velha senhora do sedentarismo - na capital francesa, 50% dos trajetos feitos de carro têm menos de dois quilômetros - é de um projeto da prefeitura que, até dezembro, terá colocado nas ruas 20 mil bicicletas de aluguel, retiradas e deixadas em 1.451 pontos da cidade (um a cada 300 metros), num esquema self-service. E tanto faz onde você tenha retirado a bicicleta. O importante é deixá-la, em alguma estação, no prazo adquirido. O passe de um dia sai a 1 euro - e isso pode ser tudo o que o condutor pague durante a jornada, contanto que seus trajetos não ultrapassem meia hora. Saiba mais aqui sobre aluguel e tarifas . O programa Velib', lançado em 15 de julho, é um sucesso tal que, segundo uma recente reportagem do jornal "Lê Figaro", em dois meses já havia se consolidado como um novo meio de transporte para os parisienses. Outras cidades européias e até dos EUA também estão adotando a prática . Quem circula por Paris cidade também não pode negar. As bicicletas cinza, de guidão robusto e cestão na frente, estão em todo lugar, pilotadas por gente que, pelo figurino, tanto pode estar apenas passeando ao longo do Rio Sena, como indo trabalhar no mais sisudo dos escritórios. conheça regras e dicas do Velib ) E apesar da cor escolhida para a bikes, a meta principal do programa é deixar Paris menos cinzenta - reduzindo a poluição - enquanto seus cidadãos tornam-se fisicamente mais ativos. É isso aí: a magreza invejável das parisienses vai ficar ainda mais invejável, a beleza vertiginosa cidade histórica ainda mais preservada e a brisa do Sena mais agradável e limpa. Ah, Paris...
da Folha OnlineMetrô é liberado para bicicletas aos finais de semana
Medida, que também vale para trens, determina que ciclistas viajem nos últimos vagões e não utilizem escadas rolantes
Também fica proibido que os usuários montem nas bicicletas nos locais; secretário defende abertura durante o resto da semana
DA REPORTAGEM LOCAL
Os ciclistas profissionais e
amadores podem, a partir de
amanhã, entrar com bicicletas
nos trens do metrô e da CPTM
-aos sábados, das 15h às 20h, e
aos domingos e feriados, das 7h
às 20h. A iniciativa facilita o
acesso dos esportistas a parques e ciclovias, mas ainda não
incentiva o uso diário da bicicleta como meio de transporte
durante a semana.
De acordo com as normas para sua circulação, os ciclistas
deverão entrar somente no último vagão e não podem usar as
escadas rolantes e elevadores.
Além disso, não podem montar
nas bicicletas enquanto estiverem nas estações.
Menores de 12 anos devem
estar acompanhados por um
dos pais ou responsável, que se
encarregará de levar a bicicleta.
Os usuários sem bicicletas
continuam com prioridade no
transporte e devem entrar primeiro nos vagões.
O anúncio foi feito na madrugada de sábado de Carnaval, em pleno
sambódromo, pelo governador José Serra (PSDB). "Eu sou particularmente
favorável ao uso de bicicletas. Bicicleta polui menos e leva as pessoas
mais rapidamente. Permitir a bicicleta no metrô significa levar a
bicicleta para outro lugar e andar nesse outro lugar ou voltar para
casa", disse.
Segundo Serra, a idéia foi da
vereadora Sônia Francine, a
Soninha (PT). A permissão é
baseada em experiências adotadas nos metrôs de cidades como Nova York, Berlim, Madri e
Rio de Janeiro.
Segundo o secretário Eduardo Jorge (Verde e Meio Ambiente), a iniciativa é importante. Ele espera que em breve
aconteça a liberação das bicicletas durante a semana.
"Pedimos há dois anos que isso fosse implementado. Em todas as cidades do mundo que
tentaram, deu certo." Ele diz
que as estações precisam, ainda, instalar bicicletários.
10/10/2005 06:16h
ESPECIAL BICICLETA NA CIDADE - Contra caos urbano, bicicletas ganham espaço nas ruas e nas políticas públicas
por Fábio de Castro em Repórter Social
“Acho que a bicicleta nunca vai ganhar espaço na cidade. Não acredito
mais no poder público. Aqui a prioridade é o automóvel. Se tivéssemos
ciclovias funcionais, interligação com outros transportes,
estacionamento de bicicletas, eu seria o primeiro pedalar para ir ao
trabalho. Estou cansado de ficar no trânsito. Se implantassem um
sistema bem feito, a cidade ia ganhar tempo, economizar dinheiro, ficar
menos poluída. Mas aqui só se pensa em dar mais acesso aos carros. É a
cultura”.
O desabafo do presidente da ONG Sampa Bikers,
Paulo de Tarso, ecoa boa parte das reivindicações dos brasileiros –
cada vez mais numerosos – que utilizam a bicicleta como meio de
transporte urbano. De acordo com levantamentos da Associação Nacional
dos Transportes Públicos (ANTP), 7.4% dos deslocamentos em área urbana
são feitos de bicicleta, num total de 15 milhões de viagens diárias no
país. A frota nacional de 50 milhões de bicicletas dobrou na última
década e cresce numa razão de 5 milhões por ano.
Segundo o coordenador do Grupo Técnico (GT) de Bicicletas da ANTP, Luiz
Bianco, o caos no trânsito das grandes cidades e o preço do transporte
público aumenta a demanda pela bicicleta, mesmo num contexto
violentamente adverso. “Não há estrutura de apoio para o uso da
bicicleta e a convivência no trânsito não é pacífica. Não há respeito e
o ciclista ainda é visto como um louco. Mesmo assim é nítido que o
número de ciclistas aumenta. O que assusta é que pode estar acontecendo
uma revolução silenciosa e de repente teremos um salto no uso da
bicicleta sem ter estrutura para isso”, diz. O ciclista, segundo ele, é
agressor na calçada e agredido na rua.
Os fatores que ainda inibem uma explosão do número de bicicletas nas
ruas, na opinião de Bianco, ficam evidentes numa pesquisa realizada em
São José dos Campos (SP): “os obstáculos citados foram a insegurança
quanto ao atropelamento, o medo de assalto, a falta de estacionamentos
e a falta de ciclovias”.
De fato a estrutura para o ciclista é diminuta nas cidades brasileiras.
Dados da própria ANTP dão uma idéia da escala: o país inteiro tem 600
quilômetros de ciclovias em uso, enquanto a Holanda, com o tamanho
equivalente ao dobro de Sergipe, tem 15 mil quilômetros.
A necessidade de dar vazão a esta demanda e de enfrentar o problema do
trânsito saturado levou o Ministério das Cidades a criar, há um ano, o Programa Brasileiro de Mobilidade por Bicicleta - Bicicleta Brasil.
A proposta, que conta com investimento de R$ 62 milhões, tem o objetivo
de estimular os municípios a implantar sistemas cicloviários, que
direcionem ações para a segurança de ciclistas. As prefeituras deverão
apresentar até o fim de novembro projetos que se integrem ao sistema de
transporte urbano, facilitando a mobilidade nas cidades.
Diretor de Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades, o administrador
Renato Boareto diz que o programa não pretende apenas criar ciclovias,
mas integrar a bicicleta como opção de mobilidade e contribuir para
mudar a cultura do privilégio ao automóvel. “As pessoas recebem
sinalização do poder público. A cidade é pensada como se um dia todas
as pessoas fossem ter um automóvel e isso nunca vai – nem pode –
acontecer. As pessoas escolhem o meio de transporte a partir do
estímulo do poder público”. O interesse das prefeituras é alto, diz o
administrador: o programa já analisa projetos de cerca de 2 mil
municípios, parte deles ligados a sistemas cicloviários.
O investimento virá do Orçamento Geral da União – que deverá
disponibilizar recursos a fundo perdido - e dos recursos arrecadados
por municípios. Outros R$ 300 milhões virão do Programa de Financiamento de Infra-estrutura para Mobilidade Urbana
(ProMob), para os 224 municípios com mais de 100 mil habitantes.
“Procuramos apoiar experiências piloto que simbolizem o que queremos
implantar, aplicando recursos em dispositivos de segurança para uso da
bicicleta”, diz.
O Bicicleta Brasil lançará, no início
de 2006, uma edição atualizada do Manual de Planejamento Cicloviário,
fornecendo aos municípios informação técnica sobre integração de
transportes e redução dos custos de mobilidade. O programa também
trabalha na capacitação de gestores públicos e na sensibilização na
sociedade sobre o assunto, como se considera o aspecto cultural.
Boareto explica que a visão integrada de mobilidade urbana para uma
cidade sustentável, encampada pelo programa, tem como um dos principais
pilares o desenvolvimento de meios de transporte não motorizados. “O
uso da bicicleta e dos percursos a pé traz ganhos econômicos,
ambientais e de saúde pública quase incalculáveis”.
O esgotamento de um modelo
A julgar pelas estatísticas, o Ministério tem mesmo boas razões para
procurar alternativas ao automóvel no cotidiano das cidades. Cerca de
35 mil pessoas são mortas e outras 300 mil são feridas todos os anos em
acidentes de trânsito no Brasil, segundo pesquisa feita pela ANTP em
2004. Dos sobreviventes, 120 mil passarão o resto da vida com
deficiências físicas. São quase 96 mortos por dia – pouco menos que os
108 mortos por armas de fogo todos os dias no Brasil e quase o triplo
da média de 34 mortes diárias no Iraque desde o início da ocupação do
país.
São Paulo, maior cidade e caso mais grave do país, chega a registrar
picos de quase 200 km de congestionamento, segundo a CET, com uma
velocidade média de 20 km por hora – a velocidade média da bicicleta em
terreno plano é de 25 km/h. A frota de 5,6 milhões de automóveis – a
maior parte deles ocupados por uma só pessoa (média de 1,5 pessoa por
veículo) – é responsável por 70% da poluição atmosférica, segundo o
arquiteto Luiz Bianco, da ANTP.
“Não tenha dúvida de que a mobilidade da bicicleta é muito maior que a
de qualquer outro veículo. Já tive várias comprovações de que a
velocidade média é bem superior à dos carros”, diz Bianco. Presa no
trânsito, a população tem sua jornada de trabalho aumentada
consideravelmente e perde o equivalente a quatro dias por ano parada
nos semáforos.
Os engarrafamentos aumentam, e os rodízios contribuem com ele a médio prazo. De acordo com pesquisas divulgadas pelo Centro de Estudos da Metrópole
(USP), com a diminuição inicial do fluxo de veículos, o rodízio convida
o cidadão a usar o carro, contribuindo para priorizar o transporte
individual.
O Ministério, no entanto, é cuidadoso no combate ao monopólio
motorizado. No lançamento do Bicicleta Brasil, o então ministro Olívio
Dutra destacou que "este modelo, apesar de perverso, gera empregos,
produz divisas e proporciona arrecadação (...) pretendemos provocar a
reflexão sobre os efeitos negativos deste modelo e apontar um novo
caminho, que passa pelo respeito aos pedestres, aos usuários de
bicicletas e a incorporação destes modos de transporte na política dos
estados e municípios".
Segundo Boareto, a Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade
Urbana concluirá na próxima terça-feira (11) uma pesquisa, abrangendo
450 cidades de mais de 60 mil habitantes, para identificar o uso da
bicicleta pelo brasileiro. “É uma diversidade de municípios muito
grande. Alguns já têm um uso intenso de bicicleta, outros ainda não
têm, mas mostram vocação e vontade de adotá-la como política. Nosso
objetivo é, a partir deste levantamento, disponibilizar informações e
recursos para quem tiver projetos”.
O administrador explica que os projetos de mobilidade precisam integrar
os vários meios de transporte e devem ser analisados caso a caso,
conforme a necessidade de cada local. Daí a importância do
levantamento. “A grande novidade, que trabalhamos desde 2003, é a
superação da análise fragmentária da mobilidade. Pensamos num sistema
integrado que permita o deslocamento a pé, de bicicleta, ônibus, metrô,
trem e automóvel. Um bom exemplo é o projeto que estamos desenvolvendo
em Porto Alegre para integração de bicicletas e trens”.
A menção de exemplos como Cuba, onde há, em determinados trechos,
ônibus sem bancos especiais para passageiros com bicicletas, mostra que
a palavra chave é integração. “Se há um trem interligando duas
ciclovias, por exemplo caberia um vagão para bicicletas. Aplica-se
solução especifica para cada caso. O importante é pensar num sistema de
mobilidade integrado”, afirma o administrador.
São Paulo: exemplo dramático
Luiz Bianco, da ANTP, afirma que o GT de Bicicletas está trabalhando
desde 2003 em articulação com os projetos dos ministérios das Cidades e
do Meio Ambiente, a fim de criar uma sinergia e fazer as ações
decolarem. “O GT lançou um prêmio - que será entregue no dia 21 de
outubro – para incentivar as melhores práticas no Brasil para o uso da
bicicleta. Estamos também participando de um grande programa de
implantação de ciclovias em São Paulo.
A situação na capital paulista é crítica, segundo Bianco. Os números da
cidade: 250 mil bicicletas circulando todos os dias. Menos de 25
quilômetros de ciclovias. Mais de 15.600 quilômetros de ruas e
avenidas. Cerca de 50 ciclistas morrem por ano. Segundo dados
divulgados pela Unesco, 95% dos acidentes com ciclistas acontecem nos
cruzamentos. Os que são atropelados (colisão por trás) por carros e
motos, não chegam a 0,1% do total de acidentados.
Arquiteto e urbanista, Bianco afirma: “as vias de São Paulo estão
totalmente saturadas”. Paradoxalmente, a violência e a saturação do
trânsito parecem aumentar o número de bicicletas buscando seu espaço.
“Você vai às seis da manhã numa avenida na divisa com Guarulhos ou
Santo André e vê dezenas de bicicletas. Há dois anos não se via nada
disso. Isso vai ser discutido no próximo Fórum dos Secretários de
Transportes – eles estão de cabelo em pé”, diz Bianco.
Na última semana de agosto, o governador Geraldo Alckmin anunciou o
estudo de duas novas ciclovias para a cidade. Uma delas deve ligar os
bairros de São Mateus e Tatuapé, na Zona Leste, e não tem custo
avaliado. A outra, bastante polêmica, corre ao longo da Marginal
Pinheiros, entre o rio poluído e a pista com fluxo intenso de carros e
caminhões. Ligando a Usina Elevatória de Traição – no acesso à Avenida
Bandeirantes – até o autódromo de Interlagos, deverá custar R$ 11
milhões. O projeto de arborização da área já começou a ser implementado.
Paulo de Tarso, da Sampa Bikers,
é cético diante da possibilidade de realização do projeto. Mas afirma
que a maior parte dos ciclistas deve reprovar a iniciativa. Para ele, o
poder público acostumado quase exclusivamente a fazer projetos para
carros, erra na execução dos poucos projetos pensados para bicicletas.
“Assim aparecem ciclovias que vão do nada a lugar nenhum, como a da
Avenida Pedroso de Moraes, em Pinheiros. Tecnicamente bem feita, bem
sinalizada, mas inútil. Como ninguém usa, o poder público usa isso como
pretexto para não investir mais em ciclovias”.
“Os ciclistas que dizem isto estão cobertos de razão”, comenta o
urbanista Luiz Bianco. “Quando o ciclista não usa é porque não se
estudou antes os movimentos deles. Um projeto de sistema cicloviário
tem que ligar dois pólos geradores de tráfego”, diz. Nestes pólos, o
urbanista recomendaria um bicicletário. “E em outros pontos um conjunto
de paraciclos (mini-bicicletários), próximos de correios, bancos,
lojas... enfim, possibilitando uma parada rápida”.
Um sistema assim poderia ser associado a um trabalho de comunicação
social e a uma programação de identidade visual. Esta seria a maneira
de inserir na cidade um novo sistema de circulação, segundo o
arquiteto. “Às vezes nem precisa de ciclovia, basta encaminhar o
ciclista para ruas de menos movimento”.
A ciclofaixa seria opção para ruas de tráfego moderado. Em outras, há
possibilidade de encaixar uma faixa entre o meio fio e os carros
estacionados. Um terminal de ônibus ao lado do metrô poderia ganhar um
grande bicicletário de 600 vagas, gerando uma estrutura de negócios,
lojas para ciclistas, serviços de manutenção de bicicletas, uma pequena
loja de conveniência e até chuveiros.
Para que o sistema funcione, precisa fazer o ciclista perceber que está
numa ambiente cicloviário, com equipamento pensado para ele. “Tudo
precisa ser armado e articulado num sistema de origens e destinos. O
sistema cicloviário precisa atender ao que chamamos de linhas de
desejos e ter boa sinalização viária horizontal, vertical e semafórica
de indicação, regulamentação e advertência”.
A criação de um sistema funcional e integrado, na concepção da ANTP,
contribuiria para dar valor à imagem do ciclista. “Você coloca o
ciclista dentro de um novo paradigma de mobilidade urbana e mostra que
ele não é um louco”, pondera Bianco.
De bike pela city |
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| A
topografia linear de Brasília é um convite irrecusável aos ciclistas,
que usam e abusam dos generosos espaços que a cidade oferece |
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Rubens Araújo
Fonte: Jornal da Comunidade
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Brasília
tem uma relação de amor complicada com as bicicletas. Plana e repleta
de avenidas largas, a cidade convida ciclistas para explorarem suas
veias e vias. Mas, como uma namorada caprichosa, zomba dos apaixonados
ao não oferecer ciclovias que garantiriam maior segurança para os que
gostam de pedalar. Ainda assim, é visível o crescimento de quem adotou
aquele tradicional veículo para participar de competições, ir para o
trabalho, apreciar a paisagem ou simplesmente sentir o vento no rosto
nas horas de lazer. Não faltam viciados nessa “cachaça”. Um interesse
que a tecnologia e o comércio acompanham cada vez mais de perto.
Nos últimos anos, pedestres e motoristas que atravessam o Parque da
Cidade, uma das poucas áreas de Brasília em que os ciclistas têm total
segurança para transitar, viram um incremento impressionante do número
de bicicletas. Seja de dia ou de noite. Prova cabal disso é o sucesso
de grupos organizados que reúnem amantes de bikes (expressão usada para
designar o veículo) como o Pedal Noturno-DF, criado em fevereiro deste
ano e que em apenas oito meses conseguiu reunir 793 associados.
O Pedal Noturno pode ser visto como um microcosmo do relacionamento
saudável que os brasilienses têm com a bicicleta. E também um sinal dos
tempos das mudanças naquela relação. “A diversidade é imensa,
participam pessoas de 13 a 69 anos. Tem famílias inteiras que pedalam
juntos. Tem empresário, advogado, dentista, funcionário público,
cabeleireiro, todos unidos como uma grande família”, contabiliza o
empresário Walter Graneiro, 50 anos, um dos criadores do site
www.pedalnoturno.com.br , que deu início a esse estrondoso e feliz caso
de amor.
Grupos em média de 40 a 50 pessoas do Pedal Noturno se reúnem no Parque
da Cidade para declarar sua paixão à bicicleta em percursos variados
que se estendem por até 60 km. Um jeito novo e moderno de pedalar, já
que no tempo das saudosas e minimalistas Monarks e Caloi, o veículo
combinava mais com passeios à luz do sol. “Essa opção noturna tem a ver
com o tempo das pessoas, que trabalham durante o dia. Além do mais, à
noite é mais agradável e o trânsito é mais tranqüilo”, realça Graneiro.
Pedaladas testemunhadas pela lua são sintomas iluminados de que
Brasília, como acontecem com capitais como Paris, Roma e Pequim, está
se transformando em uma cidade aberta e generosa para os ciclistas.
“Brasília é a melhor cidade para se pedalar do Brasil”, ataca de
superlativo o administrador Carlos Alberto Dorneles Jr., 28 anos, o
gordinho. “Aqui você tem ótimos lugares e trilhas para se ir de
bicicleta”, argumenta este fã de mountain bike, categoria em que os
praticantes andam em lugares íngremes e de difícil acesso.
Os ciclistas não poupam argumentos e elogios. “Brasília é a única
cidade grande do país que permite que você pegue a sua bicicleta e saia
do centro da cidade para pedalar”, exemplifica orgulhoso o empresário
Marcelo Fernandes Torres, 41. O representante brasileiro no campeonato
mundial de tiro em Milão (1988) e Atlanta (1999) foi um dos milhares
que se rendeu às delícias de se pedalar na capital do Brasil e ao
espírito despojado dessa prática: “Eu todos os esportes que fiz em
minha vida sempre tive pretensões de ganhar prêmios. O ciclismo, porém,
transcende isso”.
“Eu gosto muito de Brasília para pedalar. As pistas são bem largas,
parece um tapete. Além disso, o relevo da cidade é bom e a paisagem é
bonita”, justifica por sua vez a secretária bilingüe Cecília de Paula
Torres Parente. A ciclista fez spinning (bicicleta ergométrica) por um
longo período, mas descobriu com o tempo que pedalar era mais
prazeroso. Trocou a academia pelas ruas da capital e pelas trilhas do
Entorno do DF. “Você fica olhando a natureza e refletindo. A endorfina
te dá a sensação de prazer. Isso cura tudo”, explica.
Uma paixão duradoura |
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| Grupos de ciclistas se multiplicam e fazem dos passeios, diurnos ou noturnos, um estilo de vida para lá de saudável |
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A
relação de uma cidade com o simpático e milenar veículo de duas rodas é
tão intensa e duradoura quanto maior, mais diversa e radical for a
população que o utilize. E Brasília, com sua geografia peculiar, é uma
cidade que possibilita um uso múltiplo e afetivo da bicicleta. A
multiplicação de grupos com fins específicos como o já citado Pedal
Noturno, para quem quer pedalar à noite, o Rebas do Cerrado, para quem
gosta de fazer trilhas, o Saia no Pedal, só de mulheres, entre outros,
revelam um movimento forte e que reforçam cada vez mais o laço da
cidade com seus ciclistas.
Por trás desse apertado laço há um sentimento de conforto traduzido na
leitura da funcionária pública Marta Cantarino, 40: “As pessoas estão
procurando a qualidade de vida e muitos aqui vêem na bicicleta mais um
meio para alcançar isso”. É o incremento de uma vida mais saudável
sobre duas rodas. Marta Cantarino e seu marido, o advogado Mauro
Thompson, trocaram suas motos pelas bicicletas e ainda convocaram para
o exercício da nova paixão, os dois filhos, de 14 e seis anos de idade.
Marta e sua família pedalam unidos. Camila, a filha mais velha, já
incorporou claramente o espírito: “Gosto de andar de bicicleta. A gente
conhece pessoas novas e é bom para o corpo”. Até o caçula entrou na
dança: “Ele está começando, mas daqui a um ano, quando ele estiver com
sete, já vai para as trilhas leves”, conta a mãe.
Para um outro grupo de apaixonados, a bicicleta é o veículo de
transporte ideal. O vendedor Gilson Rodrigues Pereira, 40 anos, sai de
casa em Sobradinho e pedala 33 km para chegar no trabalho, na Asa Sul.
Exercício que não está relacionada à contenção de despesa: “Não faço
isso para economizar gasolina. É porque gosto mesmo”. A única economia
a que se refere é mesmo a de tempo: garante que é mais rápido se
locomover de bicicleta do que de ônibus.
Gilson contabiliza os quilômetros consumidos e registrados no cataye
(uma espécie de odômetro): são 13 mil km rodados por ano nessa
brincadeira. Um esforço em cima do selim que, segundo ele, está longe
de ser sacrificante: “Para mim é uma terapia, uma forma de sentir
liberdade”. Essa relação é definida de outra forma pelo empresário
Marcelo Torres: “É uma cachaça, um vício”. E que pode gerar
dependência, de acordo com o exemplo do administrador Carlos Dorneles:
“Quando tive uma infecção lombar e passei 20 dias sem andar de
bicicleta, fiquei agoniado. Para diminuir a agonia, escoltava de carro
os amigos que andavam de bike”.
Bicicleta gera dependência e cria tribos diferenciadas. Cada uma
escolhe o estilo ou a categoria de bike que mais lhe apetece. A mais
nova e estilosa delas é sem dúvida a dos low riders. Wesley Alvarenga,
o Shell, proprietário da Catracas, loja misto de camisetaria e
bicicletaria, e um amante daquela escola, explica que há ali uma
filosofia a ser seguida: “Low rider é um estilo de vida, que é muito
ligado ao hip hop e tem a ver com o gosto por bicicletas
personalizadas, que pareçam com o dono e revelem seu jeito de ser”.
O low rider usa uma low bike, que são bicicletas com tamanhos, guidons
e acessórios diferenciados, a exemplo dos canos de escapamentos e selim
banana. Podem ser encontradas prontas ou montadas, de acordo com o
gosto e o ego do cliente. O produto final é um veículo vistoso e
colorido, uma verdadeira festa para quem gosta de aparecer. Mas, Shell,
que monta algumas delas em sua oficina em Taguatinga, adianta que o
verdadeiro low rider não gosta de exibir: “Aparecem algumas pessoas na
loja interessadas em ter as bicicletas só para tirar onda. Mas, esse
não é o espírito da coisa”.
O diferencial das low bike é um reflexo da extensão do amor dos
brasilienses pelas chamadas “camelos”. Sentimento percebido rapidamente
pela indústria. As bicicletas nacionais e importadas ganharam na última
década recursos tecnológicos e apetrechos que seduzem e descapitalizam
os consumidores. São amortecedores com travas, freios a discos, peças
em carbono, multiplicação de marchas que fazem a velha e tradicional
Caloi 10 das décadas de 70/80 parecer uma peça de museu.
Quanto mais moderna e leve mais caro é aquele objeto de desejo. Tudo
depende do bolso e do gosto de cada um. “Vendo bikes de 200 a 4 mil
reais. Mas sei que existem algumas de até 25 mil reais”, informa Caio
Neves, dono de uma das lojas mais conhecidas da cidade. Difícil vai ser
escapar do cerco, segundo ele: “A bicicleta é um produto que tem um
futuro promissor. Daqui a um tempo, ainda que longo, ele será um
veículo muito mais utilizado do que é hoje”.
Trânsito, um inimigo
Brasília não se organizou para corresponder à paixão que os seus
habitantes têm por suas bicicletas. Se o relevo e a geografia da cidade
ajudam, o mesmo não se pode dizer do planejamento viário. O exemplo
mais citado para justificar esta afirmação é a falta de ciclovias. E aí
vem a nota dissonante: esse despreparo contribui para o aumento de
acidentes com ciclistas que resultaram em mortes. O Detran-DF registrou
28 vítimas fatais no primeiro semestre de 2004. No mesmo período de
2005, foram 43, um aumento de 53%.
Os ciclistas costumam lamentar a falta de seguranças e de mais lugares
apropriados para o “pedal”, como apelidaram os passeios que fazem de
bicicleta. “É uma pena que para pedalar com segurança Brasília só tenha
o Parque da Cidade. O que falta mesmo são ciclovias”, reclama o
administrador Carlos Dorneles. O empresário Walter Graneiro emenda:
“Falta condições viárias, sinalização e respeito mútuo. Existem também
ciclistas que atropelam motoristas e não somente o inverso”.
Por falta de segurança, respeito e ciclovias, o trânsito da cidade
torna-se muitas vezes um inferno para os ciclistas. E não faltam
vilões. “Muitos não respeitam a gente, principalmente os motoristas de
ônibus e vans”, aponta Cecília de Paula Valente. O empresário Marcelo
Torres já foi vítima, mas arrefece: “Já fui abalroado por carro e parei
no Hospital de Base. Mas, acho que 99% dos motoristas estão mais
conscientes. O problema é o 1% restante”.
Os números do Detran-DF não corroboram o que pensa Marcelo. “São muito
altas as estatísticas com vítimas fatais envolvendo os ciclistas. E
esse ano só fez crescer”, confirma Antônio Bonfim, diretor de segurança
de Trânsito. O aumento de 53% de acidentes fatais no primeiro semestre
de 2005 em relação ao mesmo período do ano passado preocupa. E a
solução para evitar que a situação piore é mais do que conhecida. “O
que se tem que fazer é educar motoristas e ciclistas”, repete Bonfim.
Marcelo Granja, diretor da área educacional do Detran, lista os
cuidados que o ciclista deve ter: “É preciso que ele ande na mesma
direção dos carros e sempre no bordo, mais à direita da via, onde está
a faixa contínua branca”. Ele acrescenta ainda que a pessoa deve
pedalar com os equipamentos de segurança: capacete, espelho retrovisor
sem haste e espelhos reflexivos na parte traseira e dianteira da
bicicleta. Os motoristas, por sua vez, devem observar uma distância
mínima de um metro e meio do ciclista. “Com menos do que isso, veículos
grandes, como ônibus e caminhões, podem jogar os ciclistas fora da via,
em função do deslocamento de ar”, alerta. |
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