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Vcs poderiam veicular este manifesto, conheci seu site mas estou tendo dificuldades em me associar... Wanderson é meu namorado e estou junto a mãe dele, buscando justiça. Me ponho à disposição para qualquer esclarecimento. Por favor, não se omitam... grata desde já.
Karla Andrea.
(Justiça pela morte de Wanderson Netto Silva em Paraty – R.J. em 27/01/08)
Ultimamente tenho a sensação de que estamos jogando xadrez, com peças feitas de gelo num deserto. Esse é o sentimento que me toma, garanto que a muitos de vocês leitores, no dia - a – dia. Estamos sempre diante da fatuidade, da iminência do derreter-se. Quanto tempo? quanto tempo? da incerteza, do fim, da impermanência, do próximo passo, do último passo, do gesto que pode significar a vida ou a morte, do ser, do não ser... Alguém que puxa o gatilho de um revólver ou avança em alta velocidade e atropela pessoas numa estrada, deveria responder da mesma forma. Nádia Lúcio dos Santos, que atropelou e matou Wanderson, já atropelara outra pessoa antes. Conhecida pela população local, por sempre dirigir em alta velocidade, de forma a assumir o risco de um “crime de trânsito” como este. Como uma pessoa que desmembra seres humanos pode responder um processo em liberdade? O problema hoje em dia é que existem muitos direitos para os corruptos, os pedófilos, os assassinos etc. Não existem direitos para o cidadão que sai cedo para ir trabalhar e, simplesmente, não volta para o seio da família. O cidadão mal tem direito de se expressar e de “influenciar os outros”, porque certamente serão caçados pelos cães de guarda dos senhores que se julgam donos do país, da cidade e, certamente se dão o direito de defender seus interesses. Não podemos nos contentar com os que produzem e reproduzem a “ditadura da mídia”, da miséria, da injustiça e da IMPUNIDADE. Está na hora da sociedade dar um “BASTA!” a esse tipo de situação. Deve queixar-se. Queixo-me por crer que todos sabem de tudo isso e continuam a respirar normalmente, dormem e acordam normalmente, como se fosse bem normal. As autoridades deveriam se preocupar menos com questões ideológicas e passar a se preocupar com o cidadão, paratiense ou não. Basta de pessoas que não respeitam nada e ninguém. Autoridades que não cumprem seus papéis, agindo de forma arbitrária. E todos os dias vão morrendo pessoas como se fossem animais de rua. Não se pode calar a consciência de um povo. Por isso estou aqui, queixando-me em nome de tantas outras pessoas que se calam diante da violência e da barbaridade. No caso do atropelamento de Wanderson, queixo-me. Cada paratiense tem ao menos um familiar em sua casa, que usa bicicleta como meio de transporte diário, inclusive de suas crianças. Como na morte de Wanderson, poderia ser um membro de sua família. Todos nós estamos sujeitos a acidentes, imperícias, excessos e distrações. Mas, tudo indica que este “acidente”, como demasiados outros, foi algo muito mais grave: O PROFUNDO DESRESPEITO PELA VIDA HUMANA. O alheamento absoluto, inclusive das autoridades, pela sorte do seu semelhante. Não podemos mais permitir que crimes de trânsito sejam sempre tratados como “acidentes” pela justiça.Queixo-me num gesto de solidariedade a mim mesmo, queixo-me por sua família, por seus amigos. Queixo-me por não ter a quem me queixar, pois sou mais um pacato cidadão e não faço diferença alguma, apenas uma estatística. Queixo-me por fazer parte de uma nação apática que não sai às ruas para protestar e reivindicar seus direitos estabelecidos por lei, que agradece a Deus pela política do pão e circo. Queixo-me pelos que se rendem “aos homens bons”, que escravizam nossa sofrida população. Essa é a minha queixa. RESTA PARA OS FAMILIARES E AMIGOS, O LUTO, A DOR... E REVOLTA! E confiar no Poder Judiciário, responsável pelo desfecho esperado por todos nós: JUSTIÇA! E esperar a de Deus.Neste dia 30 de maio, Wanderson faria 28 anos... apenas. Um rapaz de total idoneidade, muita retidão moral, gentileza, caridade, um verdadeiro cidadão,exigente consigo mesmo, justo e idealista, cheio de vida, planos e sonhos. Tarde demais.NÃO PERMITAM QUE ESSE FATO CAIA NO ESQUECIMENTO. COMO CIDADÃO BRASILEIRO COBRE A VERDADE E A JUSTIÇA. PODERIA SER SEU FILHO, PAI, IRMÃO. PODERIA SER VOCÊ. Essa é uma das receitas de grandes explosões, dizer não à repressão, clamar pelos direitos, cumprir e exigir que cumpram seus deveres. Estão tentando o impossível: calar o povo. Não permitam. Dão fé a este manifesto os seguintes membros representantes da sociedade (respectivos números de Identidade encontram-se nas listas originais):Acácio Luiz, Adel Said Tarco, Adriana de V. Gama, Adriana Maia Gomes Lages, Adriane da Silva Falcão, Alaíde A. C. Nascimento, Alberto Ferreira Campos, Alcimar Lima, Alda Maria da Silva, Alexandre da Silva Rosa, Alexandre Morina, Alice M. Pereira, Aline L. dos Santos, Aliomar Abreu de Alvarenga, Álvaro Luiz Mouro, Amélio da Silva Vaz, Ana Carolina Lima, Ana Carolina Ricardo Rufino, Ana Cláudia Meirelles, Ana Lúcia Rodrigues Mendonça, Ana Maria de Oliveira Silva e Silva, Ana Paula de F. Dardelli, Ana Paula de Oliveira, Ana Paula Ricardo Rufino, Ana Paula Silva,Ana Paula Souza de Carvalho, Anderson Rangel Antunes de Vasconcellos (Presidente da Câmara dos Vereadores de Paraty), Andréa Beltrão Salgado, Andréa de Alcântara Mariano, Ângela Maria da Cruz Santos, Ângela Maria de Souza,Angelita Nascimento de Araújo, Ângelo da Silva Costa, Anna Carolina C. Aquino Tavares, Antonio Carlos D., Antonio Carlos Gomes Senna, Antonio Carlos O. da Silva, Antônio de Souza França, Antonio Marcelo Moreira, Ariane Souza Barros, Átila D. Marques de Resende, Auralina Jesus de Souza Silva, Beatriz Moreira de Carvalho Hagel, Beatriz Toledo Castro, Benedita P. Waldir, Bernardo Lopes, Brígida Bacelar, Bruna Cintia Costa Mariano, Camilla Oliveira Mello Pádua, Carla Sandra Pereira Cavalcanti, Carlos José Gama Miranda, Carlos Magno M. da Silva, Carlos Osvaldo B. Gabello Filho, Carlos Roberto M., Catarina dos Reis Costa, Cátia Alvarenga de Melo, Celso Luiz Vieira Coelho, Cláudia de Jesus França, Cláudia Passos Carpinelli, Cláudio da Silva Pereira, Corina A. Da Silva, Cristiane de S. Rodrigues, Cristiano Malvão, Cristina dos S. Conceição, Danica Rosa, Daniela Venturino Chaboudet, David Pereira Seixas, Débora Aparecida Cazelato, Delcinha da Silva Furtado, Delmo Rodrigues Affonso(Vereador), Diego dos Santos Maia, Diego Pádua de Souza, Dirce Silva, Djalma Andrade (CREA), Dominique de Souza Wilson, Dora Costa, Edil Gama, Edmilson C., Edson Alves da Silva, Edson da Silva Cananéa, Edson José de Oliveira, Edson Malvão, Einara Ap. Fernandes, Elaine Cristina de Souza, Elaine S. Toledo, Eliana Maria Góes de Mello, Eliane dos S. Conceição, Eliane Precioso dos Santos, Eliane Siqueira B. L. P. Barnei, Elisa (Conselho Tutelar de Paraty), Elisabete de Souza Leite, Elisângela Aires dos Santos, Elmira Moreira dos Remédios, Eraldo (Guia Paraty), Érica da Silva Oliveira ramos, Érica Maria Amarante do Nascimento, Erika J. Teixeira, Eryka Adolpho Martinez de Azevedo, Everton R. C. de Melo, Fabiana A. Barboza, Fabiana de Moura Corres Jóia, Fabiano Rangel Andrade, Fábio Coelho Moreira, Fábio de Castro Pimenta, Fábio K. de Oliveira, Fátima Maria Malaquias Marques, Felipe Madrado Bosani, Flávia Maria Siqueira Rocha, Flávio Moreira Antonio, Flávio R. F., Francisca Manoela Luz da Silva, Gabriel Alves de Almeida Santos, Gelson Leandro dos Santos, Gerlan Carioca, Gilcéia Barbosa, Gilson Duque Cavalcanti, Glaucede Souza Santos, Gleidson de Moraes Silva, Graça Barreiros, Gustavo Paulino Costa, Helena Pereira Nascimento, Henrique Gomes de Carvalho, Ida Carmen Nascimento, Idail Ricardo dos Passos, Ivan R. V., Izabel Maria da Gama Netto, Jair de Barros Filho, Jaiante Fernandes Batista, Janaína Siqueira Teixeira, Janaina Venceslau Lima, Jaquison Leandro dos Santos, Jerônimo Luiz Ermes de Souza, Jonice Henrique Bastos, Jorge Adolfo da S. Cypriano, Jorge Carvalho(Secretário de Obras de Paraty), Jorge Silva dos Remédios, José Carlos Santos, José Carlos Soares, José Cézar Caetano, José Henrique de O. Vieira, José L. de Araújo, José Maria do Carmo, Jozelmo Porfírio Olliver, Juarez Silva, Juliana B. Souza, Juliana da Silva, Bulhões Luciana Curis, Julieta Fátima da Gama Netto, Júlio Cesar P. C., Júlio Fernandes Porto, Júlio Furtado, Júnio da Silva, Jussara Aparecida de Andrade Machado, Karla Andrea Silva, Kátia Pádua de Leye, Laerte de Oliveira Filho, Laura Firmo Reis, Leida Conceição P. Melo, Lélia M.R.D. Campos, Leliane da Silva, Leliane de Lima, Leontino Albino Moreira Filho (Tininho), Lescar José Coelho, Letícia Aparecida da Silva, Lídia Maria C. de Oliveira, Liliane de Souza Guedes, Lourival Valentim dos Santos Filho, Luan Barros Gonçalves Nunes, Luara de Azevedo Ferreira, Luara Gabriela Santana de Oliveira, Lúcia Helena C. Silva,Lúcia Helena Gama, Luciana Curis, Luciano de Oliveira Vidal, Lucimar Maria do Nascimento, Lucineide Pereira Silva, Lucinete Souza Garcia, Luís Cláudio do Nascimento (Luisinho Cristão SMSC), Luiz Gustavo Mouro, Luiz Armando França de Carvalho, Luiz Augusto Lamosa Pires Carneiro, Luzia Cristina Menezes de Oliveira, Manuela c. Oliveira, Mara Marcos Pereira, Marcela Gouvêa Miranda, Marcelo Valentim dos Santos, Márcia Cristina Lima Silva Barros, Márcia da Silva Cruz Pinto, Márcia O. da Conceição, Marciel Pinto dos Santos, Marcos Alexandre Rodrigues, Marcos dos S. Rodrigues, Maria Aparecida Gama, Maria Aparecida Santos Antonio, Maria Caetano Mariano, Maria Celeste dos Santos, Maria Cristina Campos, Maria da Conceição C. da Silva, Maria da Guia do Carmo B., Maria Inês Vargas dos Santos de Jesus, Maria José dos Santos Rameck, Maria Lúcia Prazeres Daniel, Marilene Gomes da Costa, Marilia Van Boekel Cheola, Marlene Coca Jardim, Marlon Ribeiro de Castro, Martha de Souza França Magalhães, Massami Kurebayashi, Michel Abreu Alvarenga, Mirna Rosa do Rosário, Monica Machado dos Santos, Monica Maria de Carvalho Machado, Mônica Valéria de Araújo, Murilo Loyola Ferreira, Naikiumara Tauffner, Nacleto F. M. Júnior, Natalício Luis Carmo dos Santos, Natalino J. Silva, Nélia Alue de Souza, Nicolau C., Nilton Rodrigues da Cruz, Norival Malvão Filho, Oauredy P. Santos, Pamela Vaz R. dos Santos, Patricia Conceição dos Santos, Patricia Rivoredo de Morais, Paula Bahia Martins, Paula Gama de Oliveira, Paulenir J. Cordeiro, Paulo Eduardo Gama Miranda, Paulo José Netto Cananéa, Paulo Oliveira da Silva, Paulo Rodrigues de Magalhães, Paulo Rogério L. Neves, Pedro O. de Brito, Polliana Simão do Amaral, Rafael Augusto da Silva, Rafael Vidal Ferreira, Raphaela P. G. da Silva, Raquel Félix, Raul da Silva Pereira Costa, Regina S. Toledo, Ricardo da Conceição, Ricardo de Araújo Dantas, Rita Célia Gama Netto, Robson Luis dos Santos, Robson S. Paz, Rodrigo Carlos da Silva Penha, Rodrigo de Paula Cardoso, Sérgio W. de Souza, Rolyan da Costa Cardoso, Ronaldo da Silva, Rosane Maria Carmo dos Santos, Rosangela Aparecida Pacheco Dutra, Roselane Telles de Souza, Rosemeire da Silva, Rosiris dos Remédios, Rozana Pedrina Freire Ribeiro, Rute Nunes de Souza Moraes, Sabrina T. de Medeiros, Sérgio Malvão de Souza, Salvatore Albonanto, Samara de Castro Dias, Samuraí Lopes de Almeida, Sandra Almeida, Sandra Alves Carneiro, Sandra Helena Pádua de Souza, Sara Ellena Regueira Soares, Sebastian N. Tovventc (Argentina), Sebastião B. Filho, Sérgio Henrique C.S., Sérgio Malvão de Souza, Sibele Ensel Wizentier, Silene Vieira Duarte Coelho, Silveli Penha, Silvia Portugal, Silvio Cesar de O., Simone Ferreira de Souza de Menezes, Sonia Maria de Oliveira, Tânia Cristina de Oliveira, Tânia Regina Bulhões de Souza Gomes, Tatiana Tostes Alves, Telma Aparecida Ribeiro de Castro, Tereza Raquel de Mello Nunes, Thiago Dias de Souza Campos, Úrsula Firmino da Cruz, Vagner S. M. Júnior (Vaguinho), Valdecir Machado Ramiro (Vice – Prefeito de Paraty), Valéria Cristina dos Santos Monteiro, Vanderli dos Santos Lopes de Souza, Vanessa Francisca de Queirós, Vânia de A. Oliveira, Vânia Maria Vidal Resende, Vicente Mariano Ferreira, Vilma A. Magalhães, Wander Abreu Campos, Wilson Sanches Travalon, Zoé Silva e Silva http://www.rideofsilence.org/memoriam.php#letter_S
| Start: | May 12, '07 08:00a | | End: | May 12, '07 10:00a | | Location: | Brasília |
Mais duas vidas perdidas. Uma inércia que não dá mais para aceitar. De carro, moto, jipe, a pé ou bicicleta, COMPAREÇA - DIVULGUE. É tempo de protestar! Programação: 8h00 Concentração no Monumento Paz no Trânsito (bike branca) no Eixão Sul (altura da 113), de onde sairá um pelotão pedalando até o Lago Norte. 9h30 Nova concentração na altura QI 14 do Lago Norte. Serão 30 minutos de manifestação. Levem apitos. Contamos com a presença de todos os grupos e daqueles que consideram que a vida, sim, não pode mais esperar.
VILA PLANALTO Caminhão atropela e mata ciclista Da Redação
Uma entrega de limões na mercearia. Essa foi a última tarefa que o ciclista Francisco José de Sousa, 65 anos, executou antes de ser atropelado por um caminhão ontem na Vila Planalto. Ele retornava para casa por volta do meio-dia quando foi surpreendido pelo veículo, que, segundo testemunhas, tinha acabado de fazer uma manobra irregular. Francisco morreu na hora. O caminhoneiro fugiu sem prestar socorro. O caso será investigado pela 2ª DP (Asa Norte).
O acidente ocorreu ao lado do restaurante Traíra Sem Espinha e deixou os moradores do acampamento Rabello, na Vila Planalto, revoltados. “Foi uma imprudência sem tamanho”, desabafou o sobrinho da vítima, Adriano Costa, 24 anos. Segundo testemunhas, o caminhoneiro resolveu economizar alguns metros de percurso e cruzou a pista antes de chegar ao retorno. “Francisco perdeu a vida por causa de 50m de preguiça do caminhoneiro. É revoltante”, protestou Marcone dos Anjos Pereira, 28, o vizinho da vítima.
Uma das testemunhas conseguiu anotar a placa do reboque puxado pelo caminhão. Até o fechamento dessa edição, a polícia ainda não tinha localizado o motorista. Caso seja encontrado, ele responderá por homicídio culposo (sem intenção de matar) e poderá pegar de dois a cinco anos de prisão, além de perder a carteira de motorista. Outro atropelamento foi registrado pela polícia ontem à tarde nas proximidades da Vila Planalto. Um Honda Civic atingiu Adilson Cunha na avenida L4. Ele sofreu escoriações leves, um corte no supercílio e uma lesão no pé esquerdo. A vítima foi conduzida para o Hospital de Base. Cinco casos em janeiro
As estatísticas do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran/DF) apontam que ocorreram 26 acidentes com morte em janeiro de 2007. Desse total, cinco envolveram bicicletas. O número oficial de ciclistas mortos em janeiro ainda não foi divulgado. No ano passado, 59 ciclistas perderam a vida nas ruas e rodovias do DF.
Para o presidente da ONG Rodas da Paz, Leandro Salim, a morte de Francisco José exemplifica o comportamento imprudente de muitos motoristas da cidade. “Como as penas são muito brandas, não existe temor por parte de alguns motoristas em ter que pagá-las”, argumentou. “Veja o caso desse acidente. Caso o motorista seja pego, ele responderá por homicídio culposo. Mesmo tendo fugido do local sem prestar assistência à vítima, que podia sobreviver caso ele não tivesse sido omisso”, completou.
Salim destaca que os dados dos últimos 10 anos apontam que morre um ciclista a cada seis dias. Ele também reclamou da demora para criação de ciclovias no DF. “Além disso, o Detran deveria realizar mais ações para evitar esse tipo de tragédia. É preciso que mais agentes fiscalizem o trânsito, assim como a realização de mais campanhas educativas”, apontou.
"A sociedade não tolera mais a impunidade"
Por Wilson Teixeira Soares, especial para o Jornal do Brasil
No dia 19 de março, o contador Leonardo Luiz da Costa, acusado de atropelar e matar, no dia 19 de agosto de 2006, o ciclista e biólogo Pedro Davison, foi interrogado, na condição de réu, no Tribunal do Júri do Distrito Federal. Denunciado pelo Ministério Público por crime doloso, ele poderá ser submetido, pelo assassinato, ao Tribunal do Júri. E condenado a pena de reclusão. Nesta entrevista, Pérsio Davison, pai de Pedro Davison, analisa as circunstâncias da morte de seu filho, critica o fato o Poder Público ter desapropriado o espaço público em favor do veículos automotores e defende a aprovação do projeto de lei de autoria da deputada Solange Amaral, que introduz a figura do crime doloso no Código de Trânsito Brasileiro, para acabar com a impunidade que protege motoristas transgressores que vitimam ciclistas e pedestres.
JB - A morte de Pedro Davison é um divisor de águas. Gerou repúdio por parte da sociedade organizada, que exige que a legislação de trânsito seja aprimorada para evitar que as tragédias continuem acontecendo. Qual, na sua avaliação, o saldo da morte de seu filho?
PD - Existe, hoje, uma clara percepção por parte da sociedade de que é necessário mudar. Sentimento que se cristalizou a partir da mobilização em torno de uma ocorrência emblemática. O homicídio de Pedro Davison chocou a sociedade, causou repercussão, estimulou a mobilização. E deixou claro que não há respeito às regras estabelecidas. Ou, então, de que existe uma clara inadequação em relação às leis.
JB - Como o senhor analisa as circunstâncias do acidente que vitimaram seu filho?
PD - No caso específico do Pedro Davison, é impossível admitir que o seu atropelamento e morte tenham sido obras do acaso, do destino. O condutor do veículo, Leonardo Luiz da Costa, dirigia a velocidade excessiva, estava alcoolizado e, possivelmente, fazendo um pega no trânsito. Circunstâncias que determinaram a morte de Pedro.
JB - O senhor entende que o motorista cometeu homicído qualificado?
PD - Quem, ainda que ocasionalmente, comporta-se no trânsito como o assassino de Pedro, pode, evidentemente, prever o resultado do ato que pratica. Portanto, Leonardo tinha consciência das conseqüências que poderiam advir de suas atitudes. Para essa pessoa, a vida das outras é indiferente. Por isso, assume o risco de matar. E quem assume o risco de praticar um crime naquelas circunstâncias, admite que a vida das pessoas não tem nenhuma importância. Ao agir como agiu, evidenciou que não se importa em se tornar um assassino.
JB - Em que medida motoristas que se portam no trânsito como o que vitimou seu filho assim agem na crença de que ficarão impunes, em virtude de o Código de Trânsito Brasileiro não prever o crime doloso?
PD - Se a pessoa não entende que as suas atitudes colocam em risco a vida de outras pessoas, isso ocorre, no meu entendimento, em razão da certeza de que, apesar dos trágicos resultados que possa provocar, nada lhe acontecerá. Ou seja, tem certeza da impunidade.
Leonardo, o assassino de Pedro, apostou na impunidade. E é justamente o sentimento de impunidade que vem agravando as mortes no trânsito do Distrito Federal. É fundamental ter consciência dessa realidade. O trânsito mata, a cada dia, mais. E vai matar cada vez mais. Há cada vez mais carros nas ruas. O DF emplaca, diariamente, 50% dos veículos que são emplacados em São Paulo. Portanto, nós, como sociedade, temos que nos posicionar. Pois, no limite, somos, todos, vítimas.
JB - O senhor de fato acredita que o motorista que matou seu filho cometeu um crime doloso?
PD - Nas circunstâncias em que o crime ocorreu, como informa o Boletim de Ocorrência, a verdade é uma só: Leonardo usou o seu carro, o Marea JFL 7804, como uma arma. Ele matou um ciclista que usava todos os equipamentos exigidos pela lei, que transitava em faixa não permitida ao trânsito de automóveis. Pedro Davison foi atingido por trás, sem nenhuma chance de defesa. E o crime foi praticado com agravantes. Não foi prestado socorro à vítima, Leonardou fugiu e, ainda, por cima, estava com a habilitação vencida. Mas a culpa não é só dele. É, também, de seu acompanhante, Carlos Daniel Martins Schneider, que tornou-se cúmplice do assassinato.
JB - Em seu depoimente, realizado na segunda-feira, 19, Leonardo alegou que dirigia no máximo, a 85 km/h. Há testemunhas que afirmem o contrário?
PD - De acordo com a perícia, Leonardo dirigia a 90 km/h, no mínimo, em uma pista que admite velocidade máxima de 80 km/h. Segundo uma testemunha, ele dirigia feito um louco na pista da esquerda, desde o início do Eixão, na direção Sul-Norte. Garantiu essa testemunha que o assassino, ao se aproximar de um veículo que estava à frente dele, jogou o carro para a direita. O motorista de quem ele se aproximou, no entanto, teve o mesmo reflexo. Então, Leonardo jogou o carro na pista exclusiva. E matou Pedro Davison.
JB - Em virtude do conjunto de circunstâncias que envolvem a morte de seu filho, como o senhor classifica o motorista que o vitimou?
PD - Eu não tenho dúvida nenhuma de que ele é um criminoso. O que foi evidenciado pela intenção por ele demonstrada.
JB - A reação da sociedade é compatível, na sua avaliação, com os trágicos eventos que vêm acontecendo não apenas no Distrito Federal, mas em todas as grandes capitais do país, vitimando ciclistas e pedestres?
PD - A sociedade não pode aceitar situações de violência. E tem que praticar o direito da indignação. Se aceitar a banalização da vida, estará renunciando a todos os demais direitos. Porque o direito fundamental das pessoas é o direito à vida. Em relação, especificamente, às questões do trânsito, é necessário não apenas realizar obras de infraestrutura, campanhas de educação e um esforço constante de fiscalização. É preciso punir. E punir exemplarmente.
JB - É necessário, portanto, contemporaneizar o Código de Trânsito Brasileiro, para que a legislação tenha força suficiente para constranger os motoristas de tendências trangressoras, violentas, homicidas.
PD - O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) é de um momento em que as circunstâncias do trânsito eram opostas às atuais. O número de carros era menor e inexistiam as atuais demandas de locomoção. Ora, a legislação tem que acompanhar a realidade. Daí a importância do projeto de lei apresentado pela deputada Solange Amaral (PL No. 74/2007), que investe no sentido de penalizar os crimes praticados no trânsito. Iniciativa que restringe a possibilidade de interpretações que acobertam esses delitos. Transgressões que, na esmagadora maioria dos casos, ficam impunes.
JB - Até que ponto a certeza de impunidade é a matriz do caos, da guerra que tipifica o trânsito no Brasil?
PD - O nó górdio da questão é a impunidade, que não pode ser admitida pela sociedade. É indispensável que existam mecanismos que garantam a correta interpretação do que é crime. E sendo crime, há que ser punido.
JB - Até que ponto a administração do Estado tem responsabilidade imediata em relação ao caos que caracteriza o trânsito?
PD - Em relação ao Poder Público, é sua obrigação, além de fiscalizar e oferecer vias adequadas, oferecer meios seguros de trânsito para o conjunto da população. É indispensável democratizar, com urgência, o acesso do cidadão ao espaço público. O que pressupõe que o Poder Público ofereça, a todos, o direito de se locomover com segurança, na medida em que cada cidadão, em momentos distintos, está no trânsito como pedestre, como ciclista ou como motorista. Ocorre, no entanto, que o espaço público foi desapropriado, em benefício exclusivo dos condutores de veículos. Com isso, pedestres e ciclistas foram relegados à situação de sub-cidadãos.
JB - E quanto ao Poder Judiciário. Qual, neste momento, a sua obrigação para tentar conter a violência do e no trânsito?
PD - Assim como cumpre ao Poder Público a tarefa de fiscalizar as normas, as regras, compete ao Poder Judiciário a obrigação de penalizar o mau cidadão, o motorista transgressor. Porque é preciso romper com as circunstâncias que desaguam na impunidade, para que possamos recuperar o direito à vida e à convivência. O mesmo direito que eu tenho como motorista de transitar em uma via segura e sinalizada, tenho, também, como pedestre e como ciclista, cabendo ao Estado oferecer os meios adequados para isso.
JB - O motorista que vitimou seu filho alegou, em seu depoimento no Tibunal do Júri, que um dos fatores que contribuiu para o acidente foi o fato de o Eixão ainda estar em obras. Até que ponto essa tese é admissível?
PD - Ainda que o Poder Público falte com a sua responsabilidade, e ainda que a legislação não esteja atualizada frente às circunstâncias do tempo, não se pode admitir que alguém, seja lá quem for, ofenda o direito à vida. Não importa se uma pista está em obras. O motorista tem que se adequar às circunstâncias. Por isso, após a realidade de um crime de morte como o de Pedro Davison, o que mais agride é a antevisão da possibilidade de impunidade. Porque, ao final das contas, é obrigação do motorista, por ser o lado mais forte, se precaver. E resguardar a integridade do mais fraco. O pedestre e o ciclista.
JB - Em relação ao Governo do Distrito Federal, quais as tarefas a serem cumpridas para reordenar o trânsito e, assim, pacificá-lo e harmonizá-lo?
PD - Da mesma forma como o governador Arruda atuou para impor regras à proliferação de outdoors em Brasília, igualmente é indispensável priorizar o conjunto dos cidadãos em relação ao trânsito, porque pedestres e ciclistas foram marginalizados, na medida em que o espaço público foi privatizado em favor dos veículos automotores. A cultura do automóvel, que é poluidora, que afeta o equilíbrio ambiental em virtude das emissões deletérias da queima de combustível fóssil, que amplia as circunstâncias de morte, privatizou o espaço público, excluindo parcela da população. Que apesar de ter perdido direitos, paga impostos diretos e indiretos.
JB - O senhor, que amarga a perda de um filho, acredita na possibilidade de o modelo que privilegia o automóvel ser revertido em virtude da crise ambiental?
PD - A degradação do meio ambiente é um fato concreto. E uma de suas causas principais é o mau uso dos veículos automotores. Se conjugarmos esse fato com a impossibilidade técnica de se privatizar, ainda mais, o espaço público, emerge, com naturalidade, a obrigação de se mudar o paradigma de como pensamos a vida nas cidades. Ao se refletir sobre essa circunstância, é inteligente inferir que opta-se pelo transporte cicloviário por dois motivos. Ou porque a pessoa não dispõe de recursos para utilizar o transporte público ou porque tomou a decisão de pedalar em benefício da própria saúde e da preservação do planeta.
JB - O que significava, para seu filho, a opção preferencial pela bicicleta?
PD - Para Pedro Davison, a bicicleta não era apenas um meio de transporte. Significava respeito à vida, à sustentabilidade ambiental. Não tenho dúvida nenhuma em afirmar que a sociedade, atualmente, tem a convicção de que necessita mudar as normas que regem seu comportamento. Convicção, entretanto, não basta. Há que ter atitude. E Pedro tinha a bicicleta não apenas como opção. Mas como uma atitude para mudar os paradigmas de respeito à vida e de promoção do convívio harmônico entre as pessoas.
JB - O senhor admite que a morte de seu filho é um meio para acelerar mudanças e estancar a impunidade, a violência, no trânsito?
PD - O episódio da morte de Pedro Davison é emblemático. A partir daí, percebe-se que emergiu, com meridiana clareza, o fato de que a sociedade não tolera mais a impunidade por crimes praticados no trânsito. Na medida em que a sociedade não mais suporta essa situação, compete ao Poder Legislativo, ao Congresso, aliar-se a esse sentimento para mudar a legislação. O que, agora, está ao seu alcance, por intermédio da aprovação do projeto de lei 74/2007, que a deputada deputada Solange Amaral apresentou e, generosamente, batizou de Lei de Davison.
JB - Como avalia a postura do Ministério Público e do Poder Judiciário em relação aos acidentes do e no trânsito com vítimas, no DF?
PD - Quanto ao Ministério Público, sua postura tem sido muito clara, no sentido de agravar acdientes fatais como o que vitimou Pedro Davison. Em relação ao Poder Judiciário, importa que atue no seentido de acabar com o ambiente de impunidade, que ainda predomina.
A deputada Solange Amaral (PFL-RJ) apresentou à Câmara dos Deputados, na
quarta-feira, 7, Projeto de Lei destinado a alterar o Código de Trânsito
Brasileiro.
O objetivo da iniciativa de Solange Amaral é introduzir no Código
Brasileiro de Trânsito a figura do crime doloso cometido por motoristas contra
ciclistas e pedestres.
O texto do PL-74/2007 encontra-se aqui.
A tramitação da iniciativa pode ser acompanhada por todos os que tenham
interesse no projeto de Solange Amaral em www.camara.gov.br
No portal da Câmara, consultar em "Deputados" ou em "Projetos de Lei e
outras proposições".
Será necessário que nós, ciclistas, nos dediquemos a enviar para os
parlamentares ( aqui os representantes do DF) mensagens solicitando que apóiem a iniciativa da deputada Solange
Amaral.
Será, também, necessário encaminhar mensagens ao presidente da Câmara,
deputado Arlindo Chinaglia, para que ele garanta efetividade à tramitação do
projeto.
Temos consciência de que a tarefa é longa e complexa.
Mas cabe a nós, que corremos diariamente riscos ao pedalar pelas ruas e
estradas, lutar pela aprovação do projeto da deputada Solange Amaral.
Encareço-te que dissemines esta informação e o Projeto de Lei No. 74 de
2007.
Grande abraço,
Wilson Teixeira Soares
Tel.: (61) 8116 8757 / (61) 3215 5324
| Sábado, 21 de Janeiro de 2006 | 


Manifestação na DF-463 Fernando Freire / João Raimundo | 
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O protesto ocupou uma faixa da DF-463, onde essa semana foram
atropelados dois ciclistas. O pedreiro Valdivino Pereira dos Santos ia
para o trabalho quando foi atingido por um carro, pelo acostamento. O
irmão de Valdivino, Lenilson Pereira dos Santos, de 23 anos, também foi
atingido e morreu no Hospital de Base.
“Perder um parente é muito ruim. Dois é demais! Eu quero que todo
mundo tenha consciência que é pesado, é triste. Eu estou muito
sentida!”, desabafou Dionísia Carvalho, dona de casa.
Há cinco anos, Odete Silva perdeu o marido também atropelado. “Ele
saiu de casa para trabalhar e foi atropelado”, contou a dona da casa.
Os moradores de São Sebastião carregaram faixas de protesto e as bicicletas praticamente destruídas no acidente.
Os manifestantes pediram a duplicação da DF-463, pista que liga São
Sebastião ao Lago Sul. Alegaram que o fluxo de carros é intenso e como
muita gente vai trabalhar de bicicleta, também pediram a construção de
uma ciclovia no terreno ao lado da rodovia.
“Brasília só ganha com isso. O governo tem que investir nesse tipo
de transporte, que é barato e não polui”, afirmou Osmane Silva,
cozinheiro.
No local do atropelamento eles colocaram as duas bicicletas, num
sinal de apelo para o fim da violência no trânsito. “Infelizmente, nos
últimos dez anos nós tivemos 600 mortes. É um número lastimável e
absurdo para o DF. A comunidade de São Sebastião não tem automóvel.
Mais da metade anda de bicicleta. Duplicar a rodovia não basta. Eles
realmente precisam de uma ciclovia”, acrescentou Leandro Kramp,
presidente da ONG Rodas da Paz.
Segundo a superintendente de Trânsito do DER, Mônica Veloso, nos
próximos dias serão iniciadas as obras para a construção de quatro
ciclovias: em Samambaia, Itapuã, Planaltina e Varjão. Ao todo, R$ 5
milhões serão investidos no projeto.
O DER também vai fazer um estudo para definir mais 15 locais onde
serão construídas pequenas redes cicloviárias, de acordo com as
necessidades da população.
Fonte: http://redeglobo6.globo.comhttp://dftv.globo.com/Dftv/0,6993,VDD0-2982-20060121-144336-0,00.html
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| Start: | Jan 21, '06 8:00a | | Location: | São Sebastião - DF | Sábado - 21/01/2006A associação dos moradores da quadra 12, em São Sebastião estará realizando um ato protesto pela morte dos 2 ciclistas (atropelamento dos 4 dessa semana). - Será 8:00 da manhã, na saída de São Sebastião, Quadra 12 - Bairro Azul. (é na saída de São Sebastião). Estarei levando faixas e cartilhas para distribuirmos entre os participantes e motoristas.... nossa presença é muito importante, é um protesto da comunidade local e da classe ciclistica. Gostaria da participação de todos. Leandro Salim Krampwww.rodasdapaz.org.br
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