Blog EntryDia sem meu carro em BrasíliaSep 23, '06 9:56 AM
by Sergio for everyone

Parentes de ciclistas pedem paz

Marcela Duarte
Da equipe do Correio

Trinta e três dias depois da morte do ciclista Pedro Davison, 25 anos, familiares, amigos e ciclistas reuniram-se no Eixão Sul, na altura da 114, na manhã de ontem. O biólogo foi atropelado em 19 de agosto por um motorista que conduzia um Marea e que fugiu depois do acidente. No gramado do Eixão, familiares participaram de uma missa campal. A filha de Pedro, Luiza Marques Davison, 8 anos, plantou um pé de ipê-amarelo em homenagem ao pai. “Ele gostava muito do ipê-branco, mas como não achamos uma muda foi o amarelo mesmo. Tenho certeza que ele ficou feliz”, disse a garota.

Para os pais de Pedro, lutar contra a impunidade de crimes no trânsito e exigir mais respeito aos ciclistas virou um ideal. “Não podemos reverter a situação e trazê-lo de volta. Mas podemos alertar a sociedade para a punição e inibição de novas tragédias”, afirmou Pérsio Davison, 58 anos, pai de Pedro. Ciclistas e representantes da ONG Rodas da Paz também participaram da homenagem e depois seguiram de bicicleta até o Ministério das Cidades, onde participaram de um seminário sobre o Dia Mundial na Cidade sem o Meu Carro.

De acordo com Leandro Salim, presidente da Rodas da Paz, Dia Mundial Sem o Carro é realizado no mundo inteiro em 22 de setembro. A proposta é deixar o veículo em casa com a finalidade de melhorar o trânsito e a qualidade de vida. “É um dia para que as pessoas pensem em caminhar, pegar um meio de transporte alternativo. Mas, em Brasília, isso é quase impossível, não temos como pedir isso à população. Não existe segurança nem opção de transporte”, afirmou Leandro.

Ao todo, 51 cidades brasileiras aderiram ao movimento. Em Belo Horizonte, uma avenida foi fechada e foram colocadas placas em gramas, bancos e árvores.

Dia Mundial Sem Carro

 Marina Franceschini / Maurício Parini

Café da manhã. Hora de começar o dia. Beijo na família. Da porta pra fora, começa a aventura. O carro fica estacionado. Três vezes por semana, o servidor público Denir Miranda faz o percurso de casa para o trabalho de bicicleta. “Tem a vantagem econômica, mas não é só isso. Também tem a vantagem de não estar preso. Apesar de gastar às vezes quase o mesmo tempo de bicicleta ou de carro, com o carro você fica parado no trânsito. Dá a sensação de que você está perdendo tempo. De bicicleta, não. Estou sempre indo e eu chego lá!”, diz Denir.

Nesta sexta-feira, dia 22, teve gente que seguiu o exemplo e mudou a rotina. É o Dia Mundial Sem Carro. Uma saída ecologicamente correta, que deixa a cidade menos poluída. Em Bogotá, na Colômbia, a data virou moda. Moradores deixam o carro em casa uma vez por mês. Aqui em Brasília, a realidade é outra.

O trânsito é perigoso. Todo cuidado é pouco para evitar atropelamentos, mortes, tragédias. Aqui, o Dia Mundial Sem Carro foi organizado pela ONG Rodas da Paz. Nas atividades, missa em homenagem a Pedro Davison, o ciclista morto em um acidente há quase um mês. Muitos motoristas nem sabiam que hoje era dia de andar a pé, de bicicleta ou de ônibus. “Estranho. Nunca ouvi falar”, confessa o motorista Raimundo França.

“O que a gente quer é mostrar para as pessoas que elas podem, sim, deixar o carro em casa e ir para o trabalho com outro meio de transporte que não seja o seu carro particular. Que vá de carona, de táxi, ônibus, a pé, de bicicleta, de metrô. Que tenha uma outra possibilidade! E também é preciso cobrar do poder público uma melhora no transporte público”, afirma o presidente da ONG Rodas da Paz, Leonardo Salim.

Vídeo sobre o manifesto: http://gmc.globo.com/GMC/0,,2465-p-M544583,00.html


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