| Emissões de CO2 chegam ao nível mais alto
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Aquecimento global está perto de um ponto irreversível. Especialista diz que EUA são antiéticos
Roberta Jansen escreve para “O Globo”:
A
despeito do debate internacional e de algumas medidas adotadas na luta
contra o aquecimento global, as emissões de gases do efeito estufa só
fazem aumentar.
Segundo dados das Nações Unidas, as emissões
alcançaram, em 2004, seu volume mais alto em uma década: naquele ano
foram lançadas 17,8 bilhões de toneladas na atmosfera, 1,6% a mais que
em 2003.
Na análise de especialistas, se continuar assim, o mundo caminha a passos largos para uma catástrofe climática.
O
novo presidente da Associação Americana para o Avanço da Ciência, John
Holdren, afirmou à BBC que o clima mundial está mudando muito mais
rapidamente do que o previsto e que, em breve, a situação será
irreversível.
“Estamos vivenciando uma perigosa intervenção humana no clima mundial e vamos vivenciar muito mais”.
Os
governantes precisariam agir já e de forma bastante agressiva para
tentar alterar o quadro. Sobretudo os Estados Unidos, os maiores
emissores.
“O tempo de fazer alguma coisa está acabando”,
afirmou Don Brown, da Universidade Estadual da Pensilvânia, ex-assessor
do então presidente Bill Clinton, dos EUA, no Rio para participar do
debate “A dimensão ética das mudanças climáticas”, organizado pela
Coppe/UFRJ. “Reduzir um pouco o volume das emissões não adianta. A
redução a ser feita é muito grande. Precisamos cortar de 60% a 80% das
emissões.”
Segundo a ONU, a maior parte do aumento de emissões
em 2004 foi causada pela elevação de 1,7% do volume de gases lançados
na atmosfera pelos EUA — o maior emissor do mundo, com 7 bilhões de
toneladas.
“Nesse ritmo, chegaremos ao fim do século lançando 20
bilhões de toneladas por ano”, denunciou Brown. “Para termos uma
estabilização de fato do volume de CO2 na atmosfera, teríamos que
emitir apenas 3 bilhões.”
Crescimento acumulado desde 1990 é de
15% Segundo Brown, o índice de emissões dos EUA vem crescendo 1,5% ao
ano. O crescimento é registrado desde 1990 e já acumula um aumento de
aproximadamente 15%.
Brown, que defendeu a entrada dos EUA no
Protocolo de Kioto (George W. Bush se recusou a ratificá-lo), admite
que as metas do acordo são simbólicas, mas necessárias.
As leis
estaduais que começam a surgir, estabelecendo limites de emissões, são
importantes, diz Brown, mas uma solução mais global é indispensável.
“As emissões estão hoje 14% acima dos níveis de 1999, quando, segundo Kioto, deveriam estar 7% abaixo”, apontou Brown.
Para
o especialista, as justificativas usadas pelos EUA para não ratificarem
Kioto ou adotarem medidas mais eficazes contra o aquecimento são
antiéticas.
“Os três grandes argumentos do governo americano são condenáveis do ponto de vista ético”, sustentou Brown.
Uma das justificativas de Bush é a de que não haveria provas científicas ligando as emissões ao aquecimento do planeta.
“Mesmo
os cientistas mais otimistas apontam as conseqüências”, afirmou Brown.
“E, até esperarmos todas as certezas, o dano será irreversível”.
As
outras justificativas são o custo da redução à economia americana e o
fato de os países em desenvolvimento não estarem incluídos nas reduções
previstas por Kioto.
“É um problema para o mundo todo, não só
para os EUA. E nem está claro que afetaria tanto assim. Parece que
afeta, sim, interesses de grupos de petróleo poderosos”, afirmou.
“Também não faz sentido dizer que não vai fazer nada porque outros não
estão fazendo. É o mesmo que dizer que vai roubar porque outros roubam.
Não é eticamente racional.” (O Globo, 1º/9) |
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