A reabertura da via será gradativa. Inicialmente, o horário reservado a pedestres e ciclistas cairá pela metade.

Publicação: 15/05/2008 08:43     Atualização: 15/05/2008 09:12

Para amenizar o problema dos congestionamentos, o governo prepara uma nova política de trânsito para o Distrito Federal. E com isso, o brasiliense perderá uma de uma de suas opções preferidas de lazer — o fechamento do Eixão para o trânsito de veículos nos domingos e feriados. A preocupação do GDF é o aumento da frota, que está prestes a alcançar um milhão de veículos, o equivalente a uma média de 2,5 carros por habitante.

Em audiência pública realizada nesta quarta-feira (14/05) na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o secretário de Transportes, Alberto Fraga, ironizou a preferência do brasiliense pelas caminhadas e passeios de bicicleta no Eixão, desde 1991, quando teve início o fechamento da via: “Não é possível causar transtorno no trânsito da cidade para nem 100 pessoas passearem com cachorrinho”, desdenhou Fraga.

No fim do ano passado, porém, quando o Departamento de Estradas e Rodagem (DER) anunciou que, o Eixão não seria fechado em 2008 por conta das obras na BR-450 — a Estrada Parque Indústria e Abastecimento (Epia) —, a população reagiu à medida. Abaixo-assinado organizado pela da organização não-governamental (ONG) Rodas da Paz reuniu mais de duas mil assinaturas contra a reabertura da via e o governo foi obrigado a voltar atrás .

A nova tentativa de reabrir o Eixão não surpreende o presidente do Rodas da Paz, Maurício Gonçalves. Para ele, a construção do canteiro central no Eixão, anunciada recentemente, já é um pré-anúncio do fim do Eixão do Lazer. “Está tudo arquitetado. É uma pena. A cidade vai ficar ainda mais engessada e menos humana”, lamenta Gonçalves.

Com o aumento avassalador da frota do DF, porém, o secretário de Transportes acredita que o fechamento do Eixão, mesmo aos domingos e feriados, não faz mais sentido. Segundo ele, o fim do Eixão do Lazer é uma questão de tempo. No pacote da nova política de trânsito, o governador José Roberto Arruda deverá anunciar a medida, que promete causar polêmica. Inicialmente, pedestres e ciclistas só poderão usar o Eixão das 6h às 12h (atualmente o horário se estende até as 18h). Mas a tendência é que a iniciativa criada em 1991 acabe de vez.

Blitzes
Outra medida que integrará a nova política de trânsito do DF é o fim das blitzes durante o dia. O secretário Alberto Fraga descartou a possibilidade da adoção do rodízio de veículos e pediu paciência à população. Ainda não há data certa para o anúncio da nova política, mas as reuniões para discutir as mudanças estão adiantadas. “Temos que saber o que vai ser da nossa vida com um milhão de carros na rua”, disse o secretário. “Se alguém tem uma fórmula mágica para resolver os congestionamentos, que nos aponte. A população terá que ter paciência”, enfatizou.

Fraga deixou claro que as blitzes durante o dia estão com os dias contados. A orientação ao Batalhão de Trânsito da Polícia Militar e ao Departamento de Trânsito (Detran) será realizar esse tipo de fiscalização apenas nas madrugadas. “Qualquer ação como essa dificulta o tráfego. Não vamos admitir blitzes em horários de pico só para mostrar serviço”, argumentou.

O secretário aproveitou para defender o aumento do valor das multas — o que só pode ser feito por meio de projeto de lei. Em 2007, o Detran-DF aplicou 369 mil multas. Este ano já foram 75 mil. “Não se trata de criar uma indústria de multas. Mas tem gente que coleciona penalidades e continua circulando. Temos que ser mais duros”, justificou.

Fonte: Correio Braziliense

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