O dia que Brasília não vai parar
Júnia GamaNa data em que as principais cidades do mundo param, Brasília continua a toda velocidade. No entanto, como alguém que ultrapassa um semáforo vermelho, a capital acelera no momento errado e fica de fora das comemorações do Dia Mundial Sem Carro, em 22 de setembro.
Na primeira manifestação, ocorrida há 12 anos, na Islândia, as autoridades bloquearam a passagem de carros no centro da capital para provocar uma reflexão sobre os problemas do uso massivo de automóveis. Pretendiam, também, estimular a utilização de meios de transporte sustentáveis, como os do sistema público, a caminhada e o ciclismo. Desde 1998 o evento é divulgado internacionalmente, tendo chegado ao Brasil em 2002.
Em Brasília, existem hoje cerca de 900 mil veículos e os problemas de tráfego são cada vez maiores. Apesar de não celebrar o Dia Mundial Sem Carro fechando algumas das vias públicas, como ocorre nas outras cidades, o governo promete amenizar a situação a longo prazo com a implantação do programa Brasília Integrada.
Revitalização no DF
Nesse sistema haverá uma reformulação do transporte público com a construção de corredores exclusivos para ônibus, ampliação da rede de metrô, revitalização de algumas vias e implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). O projeto de lei que autoriza o GDF a solicitar US$ 180 milhões ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) foi aprovado na semana passada e as obras devem iniciar no final deste ano.
Da sociedade também surgem iniciativas para suavizar o caos no trânsito. Um exemplo é a ONG Rodas da Paz, criada em 2003, como reação ao aumento de acidentes com veículos. Para o Dia Mundial Sem Carro, preparam uma manifestação com cerca de, pelo menos, 500 pessoas que sairão da Quadra 25 do Lago Sul e atravessarão a ponte JK pedindo a melhoria e humanização do trânsito.
Marcos Vieira, servidor público, 43 anos, integrante da ONG, troca diariamente o carro pela bicicleta para ir ao trabalho. Nos 22 quilômetros que percorre por trecho, cuida da saúde e faz a sua parte na preservação do meio ambiente. "Sair do universo de conforto e vencer a comodidade e o sedentarismo é muito gratificante", comemora.
Pela Europa, muitas cidades transformaram as ruas dos seus centros em praças reservadas ao uso de pedestres, ciclistas, patinadores e skatistas. Na França, onde um dos esportes mais populares é o ciclismo, deixar o carro em casa é uma prática comum. Há cidades com estações interligadas, onde as pessoas podem alugar bicicletas e devolvê-las em diversos pontos.
São Paulo, a cidade brasileira que mais sofre com problemas de trânsito, pratica um rodízio de carros há dez anos. Assim, conseguiu diminuir em 20% a circulação de carros, que são escolhidos a cada dia pelos dois últimos números das placas. O saldo é: menos engarrafamento e menos poluição do ar.