Conselho discute mobilidade nas grandes cidades e apóia projeto

O uso do carro e suas consequências e o projeto "Um dia sem carro" foram debatidos pelos conselheiros e convidados do Planeta Sustentável, em encontro na Editora Abril


Por Daniela Silva
Planeta Sustentável - 27/07/2007

ALEXANDRE BATTIBUGLI

A terceira reunião do Conselho Consultivo discutiu possíveis soluções para o estrangulamento das cidades grandes pelos carros e seus reflexos na vida das pessoas

Os indícios mostram que a frota paulistana trafega lentamente (a menos de 20km/h, em média, nos horários de pico) e para o caos (esse sim, se estabelece cada vez mais rápido). Há 500 carros a mais nas ruas todos os dias. A situação se agrava com a superlotação do sistema de transporte coletivo, as más condições das calçadas e o péssimo tratamento que tanto pedestres quanto ciclistas enfrentam quando encaram as ruas. Revela-se, assim, uma cidade que pensa no carro - e, conseqüentemente, no trânsito e nos seus danos para o meio ambiente e para a saúde - como um mal terrível e quase necessário.

Como fazemos todos os meses, desde que o Planeta Sustentável foi lançado, reunimos o Conselho Consultivo Sustentável, na sede da Editora Abril, em São Paulo, para uma nova discussão. Por acreditar na urgência de transformar o cenário citado acima, desta vez debatemos a proposta apoiada pelo "Movimento Nossa São Paulo, Outra Cidade": a do Dia Mundial Sem Carro.

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Oded Grajew, coordenador do movimento "Nossa São Paulo, Outra Cidade" e conselheiro do Planeta Sustentável
O projeto foi apresentado para todos os presentes por Oded Grajew, coordenador do movimento: "A idéia é que a cidade seja diferente antes, durante e depois desse dia". Ele explicou que o "Dia Sem Carro", em São Paulo, será associado à divulgação de indicadores urbanos que relacionam transporte, saúde e qualidade de vida, assim como à cobrança por políticas públicas que modifiquem as condições do transporte urbano. "O Dia é um gancho para discutir a sustentabilidade. Estamos vivendo um processo de desenvolvimento onde claramente se sabe que o amanhã vai ser pior do que o hoje, e isso não pode continuar".

Os conselheiros levantaram pontos relevantes do projeto. Adalgiso Telles, diretor de comunicação corporativa da Bunge, uma das empresas patrocinadoras do Planeta, falou da necessidade de se pensar em alternativas para o transporte de massa. "Não é só caminhando nem andando de bicicleta que se transforma um grande centro.

É preciso modificar a matriz do nosso transporte público".

Fábio Feldmann, que foi secretário municipal do Meio Ambiente - e responsável pelo polêmico projeto do rodízio de veículos na capital paulista -, lembrou as questões sociais que envolvem o uso do carro como veículo de locomoção: "O automóvel é um grande desafio, é um grande símbolo de progresso do século passado. Na época da implantação do rodízio, até mesmo quem andava de ônibus era contra". Ele afirmou que as pessoas se sentem lesadas no seu direito de ir e vir por causa da obrigatoriedade de deixar o carro em casa. "A mudança necessária é a do comportamento".

Para que a transformação aconteça, participar do Dia Mundial Sem Carro não pode significar deixar de se locomover pela cidade. A idéia é vivenciar a mobilidade de outras maneiras e experimentar uma relação diferente com São Paulo. Para isso, estão previstas atividades de conscientização e de lazer, como debates, seminários, caminhadas e passeios ciclísticos. E as opções se multiplicaram, já que a Prefeitura organizará a primeira "Virada Esportiva" no mesmo fim de semana.

Walter Feldmann, secretário municipal dos Esportes, ressaltou a importância desses eventos como uma retomada do ambiente urbano pela sociedade. Sobre a violência - um dos "poréns" de quem teme deixar o carro e andar a pé por certos pontos da cidade - ele afirmou: "A sociedade civil abandonou o espaço público. É impressionante a quantidade de bons aparelhos esportivos que estão simplesmente abandonados na cidade e que foram ocupados pela ação marginal". Ele lembrou que a "Virada Cultural" de 2006, que aconteceu na semana posterior a dos ataques do PCC, funcionou como uma resposta da sociedade - que não deixou de sair às ruas com medo da violência. "Esse dia não pode ser um não, tem que ser um sim. A idéia é não usar o carro, mas usar o espaço público".


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Bicicleta na Via
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